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Projeto 365 – Dia 96 – Django Livre

“Considere-se uma pessoa livre”

Tratando sobre o tema escravidão com uma roupagem que mistura faroeste americano e western spaghetti italiano, “Django Livre” é, na minha opinião, o melhor filme do diretor Quentin Tarantino. Nada contra os outros, pelo contrário, sou fã de Tarantino e adoro sua pegada violenta dentro de um contexto muito bem tramado. Justifico a minha opinião pela série de fatores que o filme em questão tem, e que representam muito bem o diretor americano, como: trilha sonora, ângulos diferenciados, fotografia privilegiada, violência e principalmente boas histórias.

Comece pela trilha sonora, um misto de vários gêneros que compõem muito bem a dramaticidade das cenas, fazendo com que o espectador tenha ao seu dispor cada detalhe sonoro trabalhando para o filme, possibilitando com que a trilha tenha um encaixe perfeito com o resto da sonorização, criando uma atmosfera rara nos filmes de hoje que optam por um ou outro recurso sonoro por cena.

A escolha dos ângulos de câmera é outra marca, será possível ver cenas por ângulos diferenciados do habitual, como câmeras mais baixas ou com foco para exaltar o exagero da fotografia. Detalhe que pode até passar desapercebido ao espectador menos atento, mas que ajuda a criar a tensão desejada para a história.

Auxiliando a filmagem, a fotografia não deixa a desejar, com um cenário bem terroso, com uso de cores fortes para destacar as cenas, além de um figurino perfeito, “Django Livre” grita aos olhos, chama atenção pelo capricho das roupas de cada personagem e as pinceladas de exagero, mostrando um primor no acabamento do filme.

django cores fortes figurino

Agora, a história em si é o mais espetacular. Talvez pela sensação de alma lavada que o filme passe por se tratar de vingança com as próprias mãos, aonde Jamie Foxx (Django) e Christoph Waltz (vencedor do Oscar de ator coadjuvante) trabalham na tocada aluno professor, respectivamente, na arte de ser caçadores de recompensa, deixando o TEMPO TODO o clima de vingança e justiça no ar.

O filme vai desenhando uma trama estratégica, aonde os diálogos e olhares dos atores vão sendo valorizados e exaltados. Dentro do roteiro, que foi premiado com Oscar, vão se inserindo os horrores da época da escravidão, aonde muito se matou e se usou dos negros, esses que por sinal, são chamados de “criolos” durante todo o filme, ou a expressão em inglês “negrous”, para mostrar inferioridade e passar a sensação de asco a todo o momento desse período histórico da humanidade. Essa tarefa coube a Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson, os antagonistas do filme que ajudam a demonstrar o que de pior o ser humano pode ser.

Django-Livre-tarantino

Para enriquecer o filme é recheado de detalhes como: um pouco de folclore alemão, oriundo do personagem Dr. King Schultz (Christoph Waltz) de origem Alemã, um trecho aonde em meio a tensão aparece uma arpa tocando Beethoven, muito sangue para demonstrar que o longa é de Tarantino, por falar dele, o próprio faz uma pequena ponta (diga-se de passagem, tendo uma das mortes mais estilosas do cinema) e por fim, apresenta mais de um final. Essa última parte é a minha preferida, pois o filme a todo momento parece que está em seu climax, ou seja, naquele ponto mais alto de tensão, e, quando o espectador começa a relaxar, a tensão novamente volta, fazendo com que o filme de fim a tudo, não deixando nada esquecido ou para se resolver depois, tornando o espetáculo algo completo.

kinopoisk.ru

Resumindo, um conjunto de fatores que faz dessa obra algo extraordinário, gostoso de assistir como entretenimento e também de se observar com atenção o acabamento técnico, fatores que, quando juntos, geram algo atrativo e inesquecível.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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