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Projeto 365 – dia 8 – Azul é a cor mais quente

Nunca foi tão difícil escrever sobre um filme. Ainda mais um filme tão intenso e bem feito como esse “Azul é a cor mais quente”. Ao parar para analisar as informações que peguei para fazer esse comentário, senti um medo muito grande, pois há tanta coisa para se observar, tantos elementos para se destacar e apresentar, que me deixou muito receoso na hora de escrever, mas vamos lá, o importante é prestar uma homenagem ao filme vencedor da Palma de Ouro de Cannes 2013 e colocá-lo na lista desse projeto 365.

Azul é a cor Mais Quente ganhando palma de ouro

Vamos a um pequeno resumo da história. O filme apresenta a história de Adele, uma adolescente, que assim como todas as outras, tem milhares de dúvidas na cabeça, dentre elas, a mais frequente são as de relacionamento.

Logo no início da trama, a personagem principal tenta se envolver naquilo que seria o caminho mais normal para satisfazer suas dúvidas. Ela conhece um garoto na escola, conversa com ele, marca um encontro, os dois conversam, depois ela divide as experiência com as amigas e, por fim, até mais por curiosidade do que por vontade, ela tem um relacionamento sexual com o rapaz. Que diga-se de passagem deixa a desejar. Não por culpa dele ou dela, e sim por não estar fazendo aquilo por prazer.

E esse é o primeiro elemento que gostaria de ressaltar sobre esse filme. FAZER ALGO POR PRAZER.

Mais do que um clichê, isso deveria ser uma obrigação do ser humano. Afinal, fazer coisas das quais não gostamos ou somos obrigados, nunca serão feitas de maneira 100% perfeitas como as coisas que fazemos com afinco e prazer. E isso vale pra tudo, trabalho, divertimento, relacionamento e etc.

Voltemos ao filme.

Na tentativa de buscar respostas Adele sai com os amigos e vai atrás de aventuras. Inclusive indo em um bar freqüentado por homossexuais, e ali ela conhece Emma, uma mulher de cabelos azuis que a encanta logo no primeiro olhar.

Aqui resumo a relação das duas em duas palavra: Bela e real

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Muito se comentou sobre esse filme no aspecto de tentar mostrar para o mundo como é uma relação homoafetiva. E isso é uma besteira enorme. Resumir esse filme a isso é rebaixá-lo e demonstrar o quanto somos insensíveis e rasos. Pois o que é retratado é a união de duas PESSOAS* e toda a dificuldade que isso provoca. O que é mostrado nesse filme é o quanto pode ser intensa uma relação onde exista prazer dos dois lados e como é bonito observar duas PESSOAS* felizes se encontrando.

E no decorrer dos 181 minutos da trama o diretor Abdellatif Kechiche mostra cada passo dessa relação, como mostrar cenas de sexo intensas e longas entre as duas, o conhecer das famílias e ciclos sociais, o choque que isso vai causando na vida dessas duas PESSOAS* e muitas outras mais cenas.

*(Desculpe por repetir a palavra “pessoas”, é só para ressaltar o fato que é isso que o filme quer mostrar, homossexuais ou heterossexuais são PESSOAS iguais.

Se entrar mais em detalhes acabarei falando mais do que devo, mas se você for assistir esse filme, veja com olhos puros e sensíveis, aprecie como é lindo e complexo um relacionamento entre dois seres, seja eles de sexo oposto ou não.

emma azul e a cor mais quente blue is warmest color

Para não passar em branco, já que o filme oferece diversos elementos a mais para o espectador, ainda podemos falar de como é belo o uso das cores na fotografia desse filme, o fato da filmagem ter sido feita no formato  2.35:1 que deixa o filme mais achatado enfatizando ainda mais o focos no rosto da bela atriz Adèle Exarchopoulos, além é claro das citações literárias que vão agregando e ajudando, e muito, a construir essa bela película baseada nos quadrinhos “Le Bleu est une Couleur Chaude” de Julie Maroh.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.