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Projeto 365 – Dia 273 – Extraordinário

Como é bom quando um filme respeita a obra que o inspirou

Sinopse:

Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

Opinião:

Sempre é um desafio transformar um bestseller em filme, seja para quem for produzir ou até mesmo para quem for assistir. Nunca que um livro pode ser passado com 100% de precisão para o cinema, as mídias são diferentes e o excesso de detalhes de um livro acaba sendo passado apenas como uma pincelada por um cenário ou diálogos. Isso pode gerar um conflito em quem assiste, afinal, cada um lê um livro com o foco de atenção em determinado ponto, algo que pode determinar o nível da experiência de quem vai ver o filme.

“Extraordinário” consegue criar uma boa atmosfera para quem leu e, também, para quem não leu o livro. Esse filme poderia facilmente flertar com o exagero emocional, mas acaba usando esse lado emotivo para alavancar as boas mensagens que esta obra tem a passar.

Se você vai chorar? Vai. É inevitável. A história tem um viés de superação muito forte, dando ao roteiro diversas oportunidades para gerar reflexões e análises dos nossos próprios comportamentos.

Um bom ponto para ressaltar são as mensagens que orbitam o personagem principal. Claro que a história do protagonista é a mais intensa, porém o filme consegue desenhar um roteiro dividido em diversas visões, dando ao espetáculo alguns protagonistas, nem que seja por alguns minutos. Isso permite olharmos de uma visão amplificada para a obra e para a história, oferecendo ao filme algo mais próximo da realidade.

Vale um destaque para o corpo de elenco. Julia Roberts cria uma mãe forte, bondosa e marcante. Sua atuação encaixa com perfeição com a necessidade que o roteiro pedia. O mesmo pôde-se falar de Owen Wilson, responsável direto pelo alívio cômico sem perder a mão. Izabela Vidovic (Via) interpreta a irmã do protagonista. A atriz consegue dar vida a uma complexa personalidade. Para mim, a jovem atriz de 16 anos é quem mais se destaca no filme. E por fim, Jacob Tremblay, esse pequeno ator de 11 anos que estrela seu segundo papel como protagonista e que consegue de uma maneira muito delicada conduzir um personagem tão interessante.

A parte técnica também faz sua parte. Os figurinistas capricham ao trazer a temática espacial que o personagem tanto amava no livro. Também é interessante notar os cenários criados para dar vida aos ambientes vividos por todos os personagens. Porém é a trilha que de destaca. Não que ela mereça prêmios ou tenha algo mirabolante. Mas, em um filme como esse, é fundamental que ela não seja exagerada. O nível de emoção já está muito alto, uma trilha muito intensa poderia gerar um resultado de perda de foco, levando a emoção a um patamar que estragaria o trabalho. Felizmente isso não acontece.

Por fim, temos um filme simples e bem feito, com uma capacidade especial do diretor Stephen Chbosky de trazer a história sem muitas modificações e mantendo o que mais havia de especial: o manifesto pela gentileza.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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