Home / Estreias / Projeto 365 – Dia 271 – Com amor, Van Gogh

Projeto 365 – Dia 271 – Com amor, Van Gogh

Uma trama tão expressiva quanto os traços do pintor holandês. Que trabalho sublime!!

Sinopse:

1891. Um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, Armand Roulin (Douglas Booth) encontra uma carta por ele enviada ao irmão Theo, que jamais chegou ao seu destino. Após conversar com o pai, carteiro que era amigo de Van Gogh, Armand é incentivado a entregar ele mesmo a correspondência. Desta forma, ele parte para a cidade francesa de Arles na esperança de encontrar algum contato com a família do pintor falecido. Lá, inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, no intuito de decifrar se ele realmente se matou.

Opinião:

Van Gogh era um dos maiores representantes de um estilo pós impressionista de arte. Portanto, os diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman tiveram a árdua missão de guiar um projeto que fizesse jus a importância do artista. O trabalho contou com mais de 62.450 quadros pintados à mão por mais de 100 artistas. Tudo isso para gerar um filme que representasse todo o talento do pintor.

O resultado disso foi um filme completamente diferente do que vemos com câmeras. Temos um contexto quase artesanal baseado nas principais obras de Van Gogh, causando uma sensação de bastante familiaridade para quem é fã do pintor ou conhece suas obras.

Realmente é bem necessário “perder tempo” ao falar desses detalhes técnicos. É espantoso como os quadros em movimento vão gerando uma sensação de movimento que Van Gogh imprimia em suas pinceladas. Ao juntar com uma trilha sonora delicada e marcante de Clint Mansell, o trabalho fica ainda mais belo, dando um toque suave que esconde o enorme trabalho que envolveu esse projeto. Vale mencionar a música “Starry Starry Night” como uma possível concorrente ao Oscar.

Agora, apesar de belo e de praticamente garantir alguns prêmios técnicos, esse filme ainda tem uma ótima trama. Temos em cena um mergulho profundo na alma de um ser humano simples e incompreendido. Um artista que não se adaptava ao mundo que morava, mas que tinha uma capacidade ímpar de reproduzir em tela aquilo que enxergava.

Por conta dessa falta de habilidade para se adaptar Van Gogh sempre foi rodeado de muita desconfiança e julgamento, algo que sempre influenciou o pintor, forçando-o ações como isolamento quase que completo. Recluso em uma pequena cidade, o pintor holandês imprimia na tela o seu cotidiano monótono, da qual deu origem às suas principais obras.

Utilizando uma sequência alinear, o filme vai montando de maneira didática aquilo que se supõe ter sido a história do impressionista. Com bastante mistério quanto a sua morte, a trama vai ganhando ares de investigação policial, dando ao filme um toque de suspense digno de Sherlock Holmes.

Com uma rotação lenta para seguir o ritmo das pessoas daquela época (1890), o filme vai criando uma atmosfera envolvente capaz de nos mostrar quem era o homem por trás dos trabalhos emblemáticos e as pessoas que o rodeavam. Serão revelados as angústias, os valores e as buscas que Van Gogh almejava; sempre tratando do tema com uma delicadeza admirável.

De fato temos aqui uma obra prima, não só pelo trabalho consistente da parte técnica em realizar um filme absolutamente impecável quanto ao estilo do pintor, mas também por conseguir agregar uma história enriquecedora e que consegue transmitir mensagens positivas sem fugir da realidade dos fatos históricos.

Comentários

comentários

About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

Leave a Reply

Your email address will not be published.