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Projeto 365 – Dia 267 – O homem mosca

Filme mudo, simples e que revela muito do que foi a década de 1920.

Sinopse:

Em 1922, o jovem inexperiente Harold (Harold Lloyd) tomou uma decisão: abandonar sua pequena cidade natal, no interior, e partir para a cidade grande em busca de sucesso profissional. Depois de um tempo, finalmente consegue um emprego como vendedor em uma grande loja de departamentos, sem imaginar que este seria o início de muitas aventuras e que algumas poderiam até causar sua morte.

Opinião:

Antes de falar qualquer coisa sobre esse filme, é necessário que se comente a pífia tradução de “Safety Last!” para “O homem mosca”. Não há nenhum indício no filme que qualifique esse nome como algo positivo, vendendo o espetáculo de forma completamente equivocada. O nome “Safety Last” é uma brincadeira com a expressão “Safety First” usada em empresas de construção para lembrar os trabalhadores de se preocupar com a segurança.

Dito isso, vamos ao belíssimo trabalho dos diretores Fred C. Newmeyer e Sam Taylor.

“Safaty Last!” – sim, me recuso a chamar pelo nome em português, é uma obra essencialmente cômica, mas que tem na essência um viés romântico. O ator Harold Lloyd vive um personagem que representa o caminho de muitos homens daquela época – até mesmo hoje em dia se faz isso – buscando uma oportunidade de uma vida melhor na cidade grande. Ao chegar na cosmopolita Nova Iorque o protagonista percebe que a vida não vai ser mais fácil só porque ele está na terra da oportunidade.

Com essa temática o filme vai produzindo um trabalho de bastante caráter, destrinchando a forma como nosso jovem protagonista faz para se virar em uma cidade que respira crise e insegurança – é sempre bom lembrar que em 1929 houve a quebra da bolsa de New York, dando a esse filme um plano de fundo bem interessante sobre como era esse período antes da crise.

Para deixar essa temática menos espessa Lloyd cria um personagem astuto e bem humorado. Utilizando de uma esperteza sagaz, o personagem vai trazendo cenas engraçadas dentro de um roteiro muito bem desenhado. Assistir esse filmes nos dias de hoje (2017) é algo bem simbólico, já que essa fórmula criada por Chaplin, Lloyd e Buster Keaton foi vastamente copiada por muitos grupos de humor que se seguiram pós cinema mudo. Aqui no Brasil fica bem clara a expiração dos “Trapalhões”.

Agora, além do bom roteiro que traz um romance puro, do humor certeiro e do plano de fundo trágico da economia Americana, esse filme ainda tem um elemento ainda mais interessante: a vertigem. Sim, estamos falando daquela sensação de altura que muitos não suportam. Essa fobia cria a personalidade para o filme, entregando em seu climax uma sensação vertiginosa para o espectador. Harold Lloyd mostra toda sua capacidade circense, auxiliado por ângulos de câmeras precisos e o que se tinha de efeito especial nessa época – que se resumia basicamente em edição. Com essa proeza os diretores Fred C. Newmeyer e Sam Taylor produzem um filme sensitivo, capaz de causar algumas sensações bem incômodas para quem se entregar a história.

Por fim, temos aqui um ótimo representante da era muda do cinema, trazendo um trabalho consistente e muito divertido. Realmente um prazer dedicar um tempo a esse clássico que, apesar de muito antigo, ainda consegue fazer rir e ser um ótimo entretenimento a todos.

PS: filme visto na platéia externa do Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, na 41ª Mostra Internacional de Cinema.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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