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Projeto 365 – Dia 266 – Manifesto

Sou capaz de analisar o filme, os manifestos eu deixo para os artistas.

Sinopse:

Os históricos manifestos de arte podem ser aplicados à sociedade contemporânea? É isso o que Cate Blanchett tenta responder ao explorar os componentes performáticos e o significado político de declarações artísticas e inovadoras do século XX, que vão dos futuristas e dadaístas ao Pop Art, passando por Fluxus, Lars von Trier e Jim Jarmusch.

Opinião:

É bem interessante quando temos uma obra cinematográfica que foge dos padrões. “Manifesto” do diretor e roteirista Julian Rosefeldt é uma dessas obras que mais valem como uma aula de história do que como filme em si. Não é errado dizer que temos aqui um trabalho único, capaz de causar diversas sensações aos espectadores e, o que é o principal, fazer pensar sobre a mensagem passada.

Conforme a sinopse acima, temos aqui uma história multifacetada, ou seja, um misto de manifestos artísticos autênticos que foram unidos de maneira integral e que, na cabeça de Julian Rosefeldt, conseguiu-se montar uma história. Claro que essa história foge do comum, mas ainda sim temos acesso a um conjunto de fatores que qualificam essa obra como um filme.

O primeiro elemento é a fotografia de Christoph Krauss. Esse detalhe traz um ar de ícone demonstrativo, tendo o papel fundamental de auxiliar Cate Blanchett na sua árdua tarefa de interpretar 13 personagens – Abaixo comento mais sobre esse trabalho. Todos os cenários criados trazem cenas do cotidiano da nossa sociedade, expondo de maneira irônica e escrachada toda a nossa insignificância, exaltando a arte como algo superior. É bem interessante observar como a fotografia vai compondo o texto e ao mesmo tempo causando uma dúvida na cabeça de quem assiste. A ideia aqui não é criar um universo fácil de se entender. A temática do filme é pesada e tensa, exigindo muita atenção na leitura e um conhecimento prévio para não se perder.

Para quem não tiver um conhecimento profundo sobre o mundo das artes, o recomendado é assistir com atenção e pesquisar sobre os diferentes manifestos artísticos deste filme, isso vai acabar orientando a forma como entender esses conceitos tão diferentes entre si, mas que nessa obra compõe um mesmo cenário.

Como cito acima, temos a camaleoa Cate Blanchett no papel único e principal do filme. Ela exibe toda sua capacidade de interpretação para dar vida a personagens de personalidade e aparência distintas. É incrível ver como Blanchett flutua pela cena mostrando diferentes sotaques, psiques e até trejeitos para dar uma característica única para cada persona que está interpretando. Realmente um trabalho magnífico que ajuda a suavizar o tema pesado, trazendo humor, ironia e muito talento para dar vida a manifestos escritos em diferentes épocas.

Por fim, até porque a temática é tão complexa que prefiro falar pouco, “Manifesto” oferece uma boa oportunidade de se conhecer outras visões de mundo. Em tempos onde temos censura a museus e artistas sendo caçados em redes sociais por conservadores, esse filme passa a ter um papel estético e político fundamental. Temos aqui uma obra de arte que defende a arte, trazendo a questão para um palanque de alto nível que não suporta desculpas sem fundamento ou preceitos de qualquer espécie, exigindo que a pessoa que for confrontar as ideias aqui expostas, venha com argumentos firmes e com bastante conhecimento, caso contrário, passará vergonha. Palmas para a arte e para esse filme. E viva a liberdade de expressão.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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