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Projeto 365 – Dia 265 – Morte em Veneza

Quando se faz uma análise de um filme clássico, ou seja, de outra época, devemos exaltar as diferenças para os dias atuais e respeitar a forma como se fazia filme na época, fazendo assim um aprendizado qualificado e respeitoso à época passada e aos dias de hoje.

Sinopse:

Início do século XX. Gustav von Aschenbach (Dirk Bogarde) é um compositor austríaco que vai para Veneza buscando repouso, após um período de estresse artístico e pessoal. Porém ele não encontra a paz desejada, pois logo desenvolve uma paixão por um jovem, Tadzio (Björn Andrésen), que está em férias com sua família. Tadzio incorpora o ideal de beleza que von Aschenbach sempre imaginou e pensa em ir embora antes de cometer um ato impensado, mas sua bagagem foi para outra cidade, obrigando-o a permanecer ali. Além disto, a cólera asiática começa a chegar a Veneza.

Opinião:

“Morte em Veneza” é, para quem ver hoje, um filme de baixa rotação. É inevitável comparar essa película com as filmagens atuais e constatar que este clássico italiano utiliza um ritmo que nos dias de hoje tirariam metade das pessoas da sala de cinema. A primeira hora do filme preocupa-se apenas em contextualizar o ambiente e exibir toda a pompa do início do século XX. Nessa parte da trama podemos conhecer o trabalho do figurinista Piero Tosi que esbanja talento em trazer elementos femininos e masculinos de alta qualidade e de fácil reconhecimento para cravar que estamos vendo uma história de 1910.

Para acompanhar a contextualização temos um compilado clássico de Gustav Mahler, Beethoven e Modest Mussorgsky trazendo elementos melódicos e vibrantes, flutuando conforme a necessidade do filme. É um favor que você faz aos seus ouvidos prestar bastante atenção a esse detalhe do filme, realmente um trabalho digno de aplausos.

Após esse preâmbulo longo começamos a notar, sempre com delicadeza e tranquilidade nas cenas (as vezes isso irrita), a temática se revelando. Vamos conhecendo mais profundamente nosso personagem principal e entrando na alma de Gustave Aschenbach do ator Dirk Bogarde.

A partir daqui o filme ganha força. Temos elementos polêmicos que, para época, seja 1970 ou 1910, arrepiariam o cabelo de muitos espectadores, tornando o filme algo atrativo e corajoso.

Deixando a polêmica de lado e entrando no roteiro em si, poderemos observar também como funciona a perturbada cabeça de um artista e como sua vida pessoal pode afetar sua obra. É muito inteligente o uso de flashbacks no filme para nos mostrar a origem do nosso herói, alguém dotado de uma personalidade afável e sofrida, sendo uma pessoa que simplesmente não consegue exercer seu ofício sem paixão.

Rondando tudo isso ainda temos uma catástrofe natural. Isso revela um pouco do que somos – cercado de sofrimentos externos e internos. Algo que vai criando o plano de fundo para o filme e ajudando a criar um pequeno suspense para um drama sentimental. É fundamental para apreciação do espetáculo que você deixe sua visão de mundo e entre no jogo, reparando como é sútil e delicado a forma com o diretor Luchino Visconti conduz o trabalho.

Por fim, temos sempre que levar em conta que essa história se passou após a guerra fria, onde muitas pessoas deixaram o silêncio de lado e revelaram seus sentimentos. Esse filme com toda certeza entra nessa temática e mostra, de maneira profunda e sem pudor, a alma humana nua. Mostrando-nos como somos: imperfeitos, apaixonados e de uma necessidade abissal de um sentimento verdadeiro.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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