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Projeto 365 – Dia 264 – A Guerra dos Sexos

“Eu não quero provar que as mulheres são melhores que os homens, eu só quero respeito”

Sinopse:

Uma disputa de tênis entre o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell) e a líder da classificação mundial Billie Jean King (Emma Stone) se torna centro de um debate global sobre igualdade de gêneros. Presos sob a atenção da mídia e com ideologias diferentes, Riggs tenta reviver as glórias do passado, enquanto King questiona sua sexualidade e luta pelos direitos das mulheres.

Opinião:

Sabe aquele trabalho em que a ideia é mais importante que a resolução em si? Pois bem, é disso que se trata o novo filme dos diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris.

Temos aqui uma composição de época, centrado nos anos 1970 e que se inicia de uma maneira bem acelerada. Nessa parte acontece o erro mais grave do filme. Como essa história ficou bem conhecida – principalmente para quem é/era desse mundo esportivo e/ou ligado nessa questão de gênero, o roteiro pressupõe que já devemos saber do que se trata o filme. Há um pecado em criar um início rápido e colocar o espectador sem orientação no meio de tanta informação. Fica uma sensação de que deveríamos ter estudado antes do filme para saber exatamente quem estamos vendo – uma sensação nada agradável.

Mas, aos poucos, essa sensação vai se atenuando, o ritmo desacelera e voltamos a rotacionar em um ritmo coerente e com sentido. A partir daí conseguimos nos identificar com as dores das personagens, dando início a mensagem avassaladora que esse roteiro tem a dizer.

Para contextualizar tudo isso temos uma fotografia amarelada e cheio de cenas externas. Figurino e cenário criam um ambiente necessário para nos transportar para a década de 1970. Por isso será possível ver os carros clássicos dessa década desfilando pelas ruas; roupas e penteados que puxam para o rock e o hippie, além do clássico uso de óculos escuros e cigarros para se destacar.

Como o ambiente da trama é o esportivo, pode-se agregar a composição dita acima alguns elementos que começam a compor a parte ideológica desse trabalho. Veremos uma série de diálogos que demonstram o machismo desse meio, além de revelar o nada nobre mundo do tênis quando o assunto é igualdade. Nessa parte é bem interessante o uso de imagens da época para reforçar que a história é baseada em fatos reais.

Agora vamos ao coração do filme. Emma Stone, agora na seleta lista de vencedores do Oscar, desfila uma aparência idêntica da sua personagem (mérito para a equipe de maquiagem). Isso em si já cria um baque no espectador, ainda mais para quem tem a lembrança do episódio ou assistiu algum vídeo sobre. Fica bem evidente que Stone aceitou o papel pela importância que episódios como esses têm nos dias de hoje; os assuntos preconceito, machismo, feminismo e liberdade sexual nunca estiveram tão em pauta, dando a esse filme um espaço no palanque de discussão. Billie Jean King (personagem de Emma Stone) foi uma mulher revolucionária que arriscou muito da suas próprias conquistas em prol do grupo de mulheres que a rodeavam. Nesse ponto o filme trabalha exaustivamente para criar diálogos e cenas que simbolizem o ideal feminino, tomando partido na discussão e expondo todos os argumentos feministas para se ter uma igualdade no tratamento entre mulheres e homens.

Para ajudar no Team Girl temos a personagem Marilyn Barnett da atriz Andrea Riseborough. Marilyn é quem tira Billie Jean King do conforto e dá início a ruptura do pensamento patriarcal que a tenista continha. A relação das duas oferece uma simbiose que expõe o lado humano dessa atleta ativista, dando ao contexto geral do filme um lado mais real e sem a necessidade da criação de uma heroína.

Para suavizar tudo isso temos Steve Carell. O ator, que também é comediante, consegue criar um personagem cheio de problemas e com uma veia humorística acentuada, funcionando muito bem como antagonista e alívio cômico. Essa mescla gera um personagem da qual não conseguimos ter ódio, mas sim uma visão bem esclarecida do que era um homem dessa época. É bem interessante ver o quanto o ator se modifica de cena para cena e consegue ir de um machão até um homem triste e bem problemático.

Em resumo, “A guerra dos sexos” não é uma obra que vai marcar o mundo do cinema. O filme tem defeitos e uma dinâmica estranha que é capaz de prejudicar a forte mensagem passada, mas que tem a sua tábua de salvação nos atores principais e na história valiosíssima de Billie Jean King.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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