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Projeto 365 – Dia 263 – Baby driver

“As vezes, tudo que quero fazer é ir à oeste na rodovia I-20, num carro que eu não posso comprar e com um plano que não tenho. Só eu, minha música e a estrada”

Sinopse:

O jovem Baby (Ansel Elgort) tem uma mania curiosa: precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos de Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de deixar o cargo, principalmente depois que se vê apaixonado pela garçonete Debora (Lily James).

Opinião:

“Em ritmo de fuga” não é um filme que pressupõe uma analogia mirabolante ou misteriosa. Temos aqui uma composição de ação com um roteiro, pelo menos na parte inicial, óbvio e que não traz muita originalidade – afinal, quantos filmes já não vimos com a temática de um motorista de fuga com um caráter bondoso?

Acontece que, mesmo em roteiros já gastos, podemos encontrar pequenas preciosidades. E esse filme é cheio delas.

A primeira boa surpresa se encontra em duas cenas de abertura. O início em si nos apresenta as habilidades do protagonista, revelando um jovem habilidoso e perspicaz; além da sua característica mais particular que é o gosto pela música. Logo em seguida temos uma cena digna de musical, com passos ensaiados, música sincronizada, fotografia que mescla um cinza urbano com grafite colorido e, o melhor de tudo, um plano sequência bem longo para os padrões atuais, mostrando toda a capacidade visual que o filme apresentará.

O diretor e roteirista do filme realmente gosta do apelo visual. Basta olhar seus outros trabalhos como “Scott Pilgrim” e “As aventuras de Tintin” para saber que “Baby Driver” não será uma obra que desagrada aos olhos. Essa composição capricha nas transições de cenas, cria cortes suaves para não perder o ritmo e ainda consegue proporcionar uma atmosfera de luzes que valorizam o enquadramento de uma maneira bem única.

Agora, por motivos óbvios, a linda fotografia fica em segundo plano quando falamos da parte sonora. Como é belo ver a sincronia dos movimentos de cena com a música ambiente. Os passos, tiros, semáforos, para-brisas, tudo…absolutamente tudo está em sincronia com a música nesse filme. É quase como se a parte sonora e a montagem se travestisse de personagens, criando uma atmosfera bem individual para cada cena. Esses dois elementos que ditam o humor e a intensidade do cenário. Como o maestro dessa sinfonia temos o ator Ansel Elgort, um jovem que também se destaca na vida real como cantor e DJ e empresta suas habilidades musicais para o personagem BABY conduzir o ritmo dessa obra.

Outro bom ponto de qualidade está concentrado em alguns atores coadjuvantes. Diferente do protagonista que ganha flashbacks e tempo em cena para contar sua história, os outros personagens são montados a partir de diálogos em cena, com destaque para Jamie Foxx, Kevin Spacey e Lily James. Essa técnica usada por Edgar Wright é fundamental para criar o lastro necessário para compor o pequeno drama para qual o filme se dirige.

Mas, infelizmente, até como já adianto no início do texto, “Baby Driver” não é uma obra de arte sem atribulações. Notem que digo acima “alguns atores”. É proposital, pois há alguns contratados do elenco que realmente jogam a obra para baixo. Jon Hamm e Eiza González herdam papeis estereotipados e, para piorar, entregam atuações sofríveis, criando sempre um GAP entre os outros atores. A culpa pode ser dividida com o diretor, já que não há muito esmero na criação desses personagens. Assim como cita no início do texto a criação do roteiro também não é muito original. Além da já citada parte do protagonista com dotes no volante, ainda temos um chefe de crime completamente baseado em Dom Corleone de “O poderoso Chefão” e objetivos bem rasos para rechear a história.

O que salva o filme, além dos detalhes técnicos que são absolutamente bem feitos, são as reviravoltas que o roteirista cria para escapar da mesmice inicial. Há uma quebra de ritmo bem intensa no segundo terço do filme que nos faz esquecer a fonte pobre da qual sua história foi baseada. Agregando ainda mais elementos positivos ainda temos a relação do protagonista com o ator CJ Jones que, por conta de spoiler não posso dizer quem é, mas já adianto que aqui está mais uma das pequenas preciosidades que esse filme tem a oferecer.

Por fim, por se tratar de um musical onde ninguém dança ou canta, “Baby Driver” agrada e acaba sendo um excelente passatempo para o espectador. Seus pecados citados acima ainda se junta ao fato de não ter nenhuma música original, algo que fosse criado para o filme; mas ainda sim esse trabalho apresenta muito mais acertos do que erros.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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