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Projeto 365 – Dia 261 – mãe

Confesso que não sou a melhor pessoa para falar desse filme. Uma, porque não entendi logo de cara a profundeza do trabalho, apaixonei-me ainda pela superfície e já fiquei encantado. E a segunda razão é pela complexidade da obra que o diretor Darren Aronofsky apresentou; precisei realmente ir atrás dos detalhes para compreender toda a produção.

Sinopse:

Um casal vive em um imenso casarão no campo. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.

Opinião:

Como disse acima, esse filme tem uma característica bem peculiar: ele tem uma análise primária e inicial, ao mesmo tempo que carrega símbolos e críticas de maneira velada a um centro da nossa cultura (revelo mais à frente na sessão SPOILER).

Antes de falar dos significados e da história é fundamental destacar o trabalho técnico. Geralmente não começo um texto por essa parte, mas o elemento roteiro é tão intenso que é impossível não encerrar essa composição falando da história. É apaixonante ver como o trabalho de ângulos de câmera é feito pelo diretor Darren Aronofske a pela equipe de fotografia de Matthew Libatique. Nós, os espectadores, somos colocados ao lado do rosto dos atores. Jennifer Lawrence e Javier Bardem, além de todos as outras personagens, são colocados com um close bem próximo, destacando as rugas de expressão e as facetas que esses grandes atores proporcionavam.

A parte sonora também é um destaque. É ela a responsável pela transição do suspense para o terror, mostrando toda a versatilidade desse filme ao saber usar o silêncio e pequenas delicadezas sonoras para aterrorizar o público.

Para dar suporte visual a esse trabalho temos efeitos especiais pontuais. Não é a todo instante que somos submetidos aos efeitos, mas quando eles aparecem brilham e agregam, principalmente a parte simbólica que me referi acima e que explicarei mais abaixo.

Ok, vou parar de enrolar. A partir daqui você lê por sua responsabilidade. SPOILER ALERT!!

“mãe” é uma obra prima. Se olharmos a sinopse já temos uma história com potencial para discussão, tendo um tema polêmico e que transborda discussão e análises. Agora, os símbolos que cada personagem representam, a crítica a religião que somos expostos, além da forma velada que isso é feita através de símbolos é absolutamente genial.

Cada personagem dessa trama tem um papel fundamental naquilo que a igreja Católica nos ensina como o mito da criação do mundo. Temos nesse trabalho a representação de Deus, da mãe natureza, Adão e Eva, Caim e Abel, Jesus, além de uma infinidade de elementos bíblicos representados de maneira real e sem fantasia. Aqui veremos o sangue sobre o qual todas as religiões são forjadas, tecendo o tecido do horror sob o mito de um salvador supremo, mostrando a realidade aterrorizadora da cultura religiosa.

Sem clemência ou distorção, o diretor Darren Aronofsky entra no lado psicológico da religião e nos mostra como que, nos dias de hoje, seriam esses contos bíblicos. Cada parte desse filme exige um pesquisa e uma atenção sobre-humana para captar cada detalhe posto em cena. A cada canto temos um detalhe que remete ao símbolo conhecido, principalmente ao chegarmos no segundo e terceiro terço do filme onde encontramos o caos supremo e sufocante.

Esse caos parece interminável, diferente de outros filme o alívio não chega, tornando a experiência algo desagradável e inebriante. Sim, esse filme não é um entretenimento divertido, aqui a ideia é fazer você pensar e raciocinar sobre o controle que a religião exerce no mundo, cutucando uma ferida complicada e que deixa marcas abruptas no nosso mundo.

Para fechar, peço que você, sendo religioso ou não, veja esse filme com a mente aberta. A ideia aqui é tentar entender como transformamos algo que era para ser belo e divino, em algo lucrativo, sangrento e com um contexto maléficos. Curta essa obra prima e tente extrair ao máximo toda a informação que ela proporciona, porque em crítica nenhuma cabe todo o conteúdo que ela apresenta.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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