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Projeto 365 – Dia 259 – It: a coisa

O filme repete os acertos do original e, como não podia ser diferente, também repete os erros da obra dos anos 1990.

Sinopse:

Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o clube dos perdedores. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

Opinião:

Os gêneros do filme It: a coisa são terror e suspense. Uma mescla que Stephen King se especializou em escrever e, por consequência quase que inevitável, sempre viraram obras cinematográficas. King não é perfeito. Há obras do grande mestre do suspense que simplesmente não deram certo. Ainda mais quando saímos do livro e vamos para um outro tipo de arte. It é uma dessas obras que, desde o filme de 1990, apresentavam alguns defeitos, mas que ainda sim causam um impacto bem profundo em quem assiste.

It pode ser dividido em três terços. o primeiro representa a parte do início do suspense e da apresentação das personagens da obra. Nesse quesito o filme acerta. Temos personagens problemáticos e que simbolizam bem o universo que o autor da obra original quis retratar: o infantil. Essas sete personagens principais, mais todos os coadjuvantes, formam um conjunto coeso e que representam bem o como Stephen King é metre em bolar histórias.

Agora, o destaque está na segunda parte. Aqui os personagens já foram apresentados e todo o suspense da trama já está consolidado. Já fomos expostos a cenas pesadas e o medo passa a dividir a tela com sustos e um terror bem intenso. Nessa parte do filme começamos ver o maior mérito da história: o medo. A forma como os medos infantis, e também de muitos adultos, são representados nesse filme, é algo que merece bastante atenção. King traz na figura de um palhaço a soma de diversos medos, criando uma trama baseada na forma como o medo amplia as sensações de quem o tem. É bem interessante observar o como a mente das crianças é exposta através dos medos, revelando personagens complexos e atraentes. Jamais poderemos dizer que um filme com sete personagens complexos e bem detalhados é ruim, ainda mais nesse nível que o senhor Stephen King nos oferece. Mérito para o diretor Andy Muschietti que soube trazer isso para a tela e resumir 1200 páginas em um filme de 2 horas e quinze minutos.

Mas nem tudo é perfeito. King escorrega no mesmo erro de muitas histórias de suspense e também do terror: a parte final. O terceiro terço do filme é realmente decepcionante. A solução encontrada para a trama do filme é bem rasa e quase óbvia. Somado a isso ainda temos um princípio de romance infantil, algo que deixa a obra pobre e tira o foco do que realmente importa nesse roteiro. A sensação que dá, sem querer bancar aqui o autor do filme, é que o melhor caminho era a permanência do suspense. Digo isso pois a explicação é o que atrapalha. É ela que nos deixa com aquela sensação de “é isso?”?

Há também que se comentar a presença de algumas cenas dignas de causar riso. O terror sempre flerta com essa possibilidade. Para os espectadores mais fortes existem cenas que lembram mais um filme trash, ou seja, o escárnio fica mais presente que o medo. Mas como isso vai de pessoa para pessoa não se pode qualificar como um erro.

Enfim, até para não alongar muito, temos aqui um bom filme. Com cenas leves e infantis quebradas de maneira brusca para um horror maléfico. Algo que consegue afetar as sensações e provocar sustos, mas que também traz uma temática psicológica e inteligente para dar corpo nas cenas pesadas em que Pennywise aparece. It acaba ficando na média, mas acaba “passando de ano” pela forma como consegue brincar com o medo.

PS: a publicidade do filme é melhor que a obra!!

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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