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Projeto 365 – Dia 258 – Dupla Explosiva

Confesso que fui assistir a esse filme com um pé atrás. Por puro preconceito, algo bem feio, acreditava que ia ser uma obra sem histórias e com uma sucessões de erros e exageros para atrair o público que ama explosões e ação. Enganei-me em gênero, número e grau.

Sinopse:

O principal guarda-costas do mundo possui um novo cliente: um assassino de aluguel que precisa testemunhar na Corte Internacional de Justiça. Por anos eles estavam em lados opostos de um tiro, mas agora eles estão presos juntos. Eles precisam colocar as diferenças de lado para chegarem ao julgamento a tempo.

Opinião:

O filme não é um primor. Não temos aqui um concorrente ao Oscar. Mas isso não diminui o valor do espetáculo. Existem filmes para todo tipo de gosto. Esse trabalho dirigido por Patrick Hughes (II) traz um bom roteiro dentro do gênero drama/ação. A base do filme está no bom trabalho dos seus protagonistas, extraindo o que de melhor os dois tinham a oferecer.

Samuel L. Jackson está em plena forma. Apesar da limitação física que seus 68 anos o impõe. Samuel consegue vencer os problemas físicos, inclusive com uma ajudinha do diretor, e entregue um personagem complexo, profundo e que foi brilhantemente construído. Seu tradicional “Motherfuck” está presente e leva os seus fãs a loucura pela forma como foi bem encaixado nessa história.

Ryan Reynolds é a bola da vez. Nesse papel ele interpreta uma espécie de DeadPool, personagem que o fez dar uma alavancada na carreira e o colocar em um patamar mais superior. Nesse filme ele dá vida a Michael Bryce, um guarda costa habilidoso, perfeccionista, e que lembra muito o herói mascarado, dando possibilidade para o ator construir um eu-lírico com bastante humor e perícias corporais; uma mistura letal e que faz muito bem ao filme. O único elemento ausente de DeadPool é o sarcasmo, aqui substituído por um excesso de zelo pelos detalhes do ofício.

Como disse acima o roteiro surpreende. Com um auxílio luxuoso de 30 milhões de dólares, temos vastas batalhas corográficas, cenários distintos, perseguições, tiros, bombas, explosões, carros voando, manobras em motos e barcos, e mais uma infinidade de traquitanas capaz de encantar os amantes da ação. Porém, o filme não é só isso. A complexidade das personagens principais vão se revelando com o passar da trama. O roteiro se amarra de um jeito bem coeso e coloca a coincidência ao limite para mostrar o quanto a vida pode ter reviravoltas.

Para não dizer que eu só falei bem do filme, aqui vão uns pequenos descuidos. Primeiro para o final confortável. Sei que é pedir demais uma conclusão impecável e de deixar o queixo lá no chão. Mas houve uma certa preguiça nessa parte da trama, deixando bem claro um cuidado maior com os dois primeiros terços do filme. Há sim o fator surpresa, algo que deixa o final confortável bem mais aceitável, mas fica aqui a pequena crítica a esse pequeno defeito que a maioria dos filmes de ação comete.

Outro erro fica por conta da imortalidade dos personagens. OK, o filme é de ação e tem que ter cenas praticamente irreais, o público praticamente suplica por isso. Mas há um exagero. Existem cenas que distorcem a realidade do que o corpo humano é capaz de aguentar, cometendo erros de proporções físicas bem graves para quem se propor a ser um pouco mais rígido na análise biológica.

Antes de terminar há mais um erro bem grotesco. Mas aqui a culpa fica por conta da distribuidora brasileira: o nome. Terrível a tradução. The Hitman’s Bodyguard diz muito mais sobre o filme e até sobre quem é o foco desse espetáculo. Algo bem diferente de Dupla explosiva que divide o palco principal e coloca os dois atores em patamares iguais, algo que é um erro. Fica claro que quiseram dar um nome mais mercadológico e se esqueceram de que o título tem uma função estrutural em um contexto, criando uma tradução inapropriada e que distorce a análise do espectador.

Por fim, recomendo muito o filme. Ele é divertido e foge do padrão sessão da tarde. Realmente vale o ingresso e valoriza os dois bons atores que chamaram para estrelar essa obra. Realmente dou meu braço a torcer e dou aquela batidinha com a mão nas costas de quem protagonizou essa película.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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