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Projeto 365 – Dia 256 – A escolha de Sofia

Sinopse:

Em 1947 Stingo (Peter MacNicol), um jovem aspirante a escritor vindo do sul, vai morar no Brooklyn na casa de Yetta Zimmerman (Rita Karin), que alugava quartos. Lá conhece Sofia Zawistowska (Meryl Streep), sua vizinha do andar de cima, que é polonesa e fora prisioneira em um campo de concentração e Nathan Landau (Kevin Kline), seu namorado, um carismático judeu dono de um temperamento totalmente instável. Em pouco tempo tornam-se amigos, sendo que Stingo não tem a menor idéia dos segredos que Sofia esconde nem da insanidade de Nathan.

Opinião:

O filme começa com a apresentação de um personagem bem caricato. Stingo é um jovem simples que ambiciona ser alguém maior do que o mundo planejou, tentando utilizar suas palavras e capacidade de escrever para se tornar uma pessoa mais notável. Ao chegar nessa suposta pensão ele encontra uma fonte de inspiração ilustre: o casal Sofia e Nathan.

É uma história que, em si, já poderia render uma ótima trama, afinal, dentro desses três personagens já podemos bolar vários enredos possíveis. Acontece que a história escolhida para dar plano de fundo para esses personagens foi a segunda guerra mundial, colocando pessoas que viveram esse horror diante de nós, meros espectadores.

O filme se passa na década de 1950, ou seja, logo depois do fim da guerra. Isso é facilmente notado pelo figurino, fotografia e trilha sonora do filme, categorias essas que inclusive concorreram ao Oscar. Esse trabalho técnico é realmente primoroso. Meryl Streep aparece vestida com figurinos fantasiosos e elegantes para dar vida a contos inventados por Nathan e Stingo, mas também com trapos listrados dos campos de concentração, um contraste comovente e bem forte. A trilha acompanha as nuances emocionais do filme, mas é a fotografia que se destaca. Os jogos de câmera e cenários utilizados preenchem a cena de uma maneira única. O visual do filme fica com uma agradável mistura de cores que são colocadas abaixo de uma película amarelada que toma conta de praticamente todo o espetáculo.

Esse conjunto de caprichos ajuda a desenhar o roteiro do filme, outro item que também concorreu ao Oscar. De uma forma delicada e poética um tema pesado e profundo vai sendo retratado. Oa três atores vão esbanjando talento a tratar de temas polêmicos. Veremos em cenas críticas a religião, intolerância e, como não podia faltar na década de de 1950, reflexos da segunda grande guerra. Porém, o detalhe que o filme mais vai retratar é sobre a violência dentro de uma relação, uma tema bem atual, seja na década de 1980, ano que o filme foi lançado, e até hoje em 2017.

Tudo isso sendo contado de uma maneira alinear, algo que amplia o mistério e ajuda a prender a atenção, por um narrador participante. Sim, o jovem Stingo vai contando essa obra para o espectador, fazendo uma mistura de narração participativa com frases de efeito; tudo formando um conjunto belo de poesia e horror, mostrando o quanto o homem é um ser perturbador e brilhante ao mesmo tempo

Tudo isso vai gerando uma expectativa para o final da obra, algo que chega com a jovem Sofia Zawistowska contando sua história, algo que vai trazendo alívio ao espectador que vai tendo sua curiosidade saciada, mas também tristeza por conhecer uma história profundamente triste de alguém que ficou marcada pelas barbáries de uma guerra sem sentido.

Não posso terminar sem comentar sobre a atuação de Meryl Streep. Premiada com Oscar, a atriz teve mudanças corporais, cabelo raspado, aprendeu duas diferentes línguas, além de criar um sotaque polonês incrível. Meryl simplesmente brilha como um sol. Sua beleza encanta a tela e transforma quase todas as suas cenas em um belo espetáculo, protagonizando diversas emoções dentro do filme, todos intensos.

Por fim, vale dizer que uma obra datada dos anos 1980, representando os anos 1950 e contando os traumas de uma década de guerra, vale a pena ser assistida. Você verá uma aula de atuação, outra de história e uma óbvia viagem a mente humana. Uma dessas obras clássicas que ficarão para sempre no hall dos grandes espetáculos que nos ensinam a não deixar a tristeza da intolerância tomar o mundo.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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