Home / Estreias / Projeto 365 – Dia 255 – Atômica

Projeto 365 – Dia 255 – Atômica

Sinopse:

Lorraine Broughton (Charlize Theron), uma agente disfarçada do MI6, é enviada para Berlim durante a Guerra Fria para investigar o assassinato de um oficial e recuperar uma lista perdida de agentes duplos. Ao lado de David Percival (James McAvoy), chefe da localidade, a assassina brutal usará todas as suas habilidades nesse confronto de espiões.

Opinião:

Atômica é um filme de espião. Um tipo de filme que simplesmente não consegue inovar no que se refere a roteiro. Portanto nem vou perder tempo comentando sobre a história. As reviravoltas de espião duplo, agentes secretos, salas de entrevista, diálogos tentando desvendar a mente do outro e mais uma infinidade de clichês serão utilizados pelos roteiristas. E se me permitem, até o final acaba sendo previsível para quem já assistiu algumas tramas com esse “espírito”.

Mas, Atômica não é só coisa clichê ou ruim. A parte técnica do filme é feita com uma exímia qualidade. Tanto atores como a produção criaram um cenário absurdo de lindo dentro do enredo da Guerra Fria. É lindo observar os neons dos anos 1980 de uma Alemanha dividida por um muro, sempre tendo um clima hostil de protesto quando os atores saem para cenas externas.

Charlize Theron consegue fazer um trabalho ainda mais intenso do que fez em Mad Max. A atriz está em excelente forma física e mental, capaz de dar vida a uma espiã cruel e inteligente. Multifacetada, a atriz conta com um figurino ousado e sexy para ajudá-la a esbanjar talento, carregando o filme nas costas tanto em cenas longas de luta, ou até em diálogos bem construídos pelos roteiristas. James McAvoy não brilha, mas também não estraga a história. Seu personagem acaba sendo mais importante por conta do mistério que o envolve do que pela sua atuação.

Outro elemento que também ajuda muito o espetáculo é a trilha sonora. Utilizando músicas e bandas que brilhavam nos anos 1980, a trilha nos ajuda na ambientação e eleva o nível do filme. Praticamente toda música utilizada foi um grande sucesso, capaz de deixar o espectador batendo a mão e os pés para acompanhar o ritmo. Eu mesmo me peguei uma série de momentos esquecendo o filme e acompanhando a música.

Deixe-me falar mais um pouco da fotografia. Com uma película azulada para deixar o clima sombrio e tenebroso, Atômica representou o que era o clima da Guerra Fria. Cenário de destruição e guerra, misturados com um clima político que dividia um país em territórios e pensamentos diferentes. São utilizadas poucas cores quentes nesse trabalho, mas quando elas aparecem algo de diferente acontecerá. Observem bem as nuances de roxo e vermelho que surgem em pontos chaves, sempre em contraste com a película azulada que já citei. Outro bom detalhe da fotografia são os grafites. Essa parte em específica agrega a questão dos protestos, já que essa arte está atrelada a quebras de paradigmas e queixas. Mas também traz cores ao cinza de uma cidade destruída.

Portanto, vale a pena assistir no cinema. Pela música e a qualidade da fotografia, além do bom trabalho da equipe de câmera, direção e atuação – em especial as cenas de luta que deixam o filme intenso e pesado, é bárbaro o quanto os atores se dedicaram a criar lutas reais e violentas; Charlize Theron chegou a quebrar dois dentes nas gravações. Mas não vá esperando uma grande novidade, pelo visto filmes de espião jã estão com a fonte seca quando o assunto é novidade, deixando os fãs desse tipo de filmografia carente de coisas novas.

Comentários

comentários

About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

Leave a Reply

Your email address will not be published.