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Projeto 365 – Dia 252 – O estranho que nos amamos

Depois de “As virgens suicidas”, “Maria Antonieta” e “Bling Ring” já podemos notar que Sofia Coppola preza por dar voz a personagens femininos. Nesse novo trabalho não será diferente.

Sinopse:

Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).

Opinião:

Em um clima bucólico, bem demonstrado pela direção de arte do filme, vamos acompanhar um recorte da Guerra Civil Americana. Apesar da guerra nortear o filme, afinal é quase impossível uma guerra passar em branco, esse detalhe fica em segundo plano, apenas sendo usado para datar o espetáculo. Não haverá combate armado, batalhas sangrentas e nem muito menos disputas políticas. Veremos na tela a visão das mulheres da época, em especial de um grupo que ficou encurralado em seus aposentos.

A falta dos combates armados não tira o fator atrativo do filme. Com um clima de suspense bem produzido por Sofia Coppola vamos aos poucos sendo apresentado aos personagens e sentindo o que acontecerá nessa trama. O início do roteiro é marcado com vários planos longos de filmagem, onde vamos acompanhando conversas ao longe e um apanhado de belos takes fotográficos. Tudo isso vai ajudando a montar o clima inicial de um suspense misterioso, desses que não deixa claro o que vem pela frente.

Aos poucos o tom pastel do filme, algo que ajuda a embelezar ainda mais essa película, vai dando lugar a um vermelho imaginário. Digo imaginário pois essa cor associada ao desejo não aparecerá para nossos olhos, apenas para nossa percepção. O desejo dessas mulheres vai se aflorando de maneira diferente, revelando como cada idade sente a presença de uma novidade – o cabo John McBurney que acabara de chegar.

As atrizes que compõem esse elenco vão de jovens meninas até atrizes consagradas e mais maduras. Cada uma representa muito bem a fase da vida que pertence, com destaque para a sensualidade juvenil de Elle Fanning, a força madura de Nicole Kidman e a personalidade misteriosa de Kirsten Dunst que sempre aparece nos filmes de Sofia Coppola.

Esse jogo de desejo versus comportamento, já que essa época fica muito marcada pela privação feminina e os ensinamentos rígidos religiosos, vai encorpando o filme. Essa sensualidade velada vai gerando cenas cômicas e intensas, prendendo o espectado para aguardar o que virá.

A parte sonora ajuda nessa fixação do público no espetáculo. O som soa limpo e sem ruídos, deixando um mistério ainda maior no ar. Cada porta abrindo, vento uivando ou uma bomba ao longe explodindo é ouvida com perfeita qualidade. Tudo isso dá um plano de fundo bem alinhado para os diálogos.

Nesses diálogos fica bem claro qual o papel desse filme. Veremos de maneira limpa o pensamento da mulher dessa época, um misto de desejo de algo melhor com uma esperança de que a situação atual acabe, mas também uma necessidade própria de querer ser feliz independente do momento que estão vivendo. Entre danças e passeios na floresta próxima ao local em que estão vivendo, vamos vendo sorrisos e vontades. A delicadeza desse trabalho passa de maneira sutil que essas mulheres queriam algo maior do que elas tinham. Como a situação era arriscada e complicada a chegada desse homem passou a representar todo o anseio dessas mulheres.

Todo esse conjunto acaba entregando uma obra com um caminho surpreendente, deixando o espectador ainda mais vidrado para ver como termina.

Em resumo, mostrando um olhar diferente de um período de guerra, o filme “O estranho que amamos” vai destrinchando o espírito feminino. Mostrando para as mulheres de hoje, mesmo que de maneira indireta, que o desejo reprimido não leva a lugar algum, sendo mais um incentivo a busca de igualdade e do seu espaço.

Comentários

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

4 comments

  1. Excelente artigo Eu aprendo algo novo nas minhas leituras.
    Sempre é interessante ler o texto de outros escritores
    e colocar em prática coisas novas. https://aformulanegocioonline.com.br/o-que-e-o-wp-profit-builder-2-0/

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