Home / Estreias / Projeto 365 – Dia 251 – Carros 3

Projeto 365 – Dia 251 – Carros 3

Lá em 2006, quando a Pixar lançou o primeiro filme da franquia Carros, o filme era focado para o público infantil e para os amantes das corridas. Com esse novo projeto esse muro que cercava o filme ruiu, revelando uma obra mais emocional e nostálgica.

Sinopse:

Veterano das pistas, o agora campeão Relâmpago McQueen se vê em apuros após o surgimento de um novato bastante veloz, Jackson Storm, que utiliza de alta tecnologia nos treinamentos. Obrigado a chegar ao limite para batê-lo, McQueen acaba sofrendo um sério acidente durante uma corrida, que o obriga a abandonar o campeonato daquele ano. Prestes a iniciar a próxima temporada, ele se vê em dúvidas sobre se consegue ser rápido o suficiente para bater Storm e, por causa disto, busca ajuda com seu novo patrocinador.

Opinião:

A franquia Carros rendeu muitos frutos para Disney/Pixar, não à toa o filme chega a sua terceira versão. Mas isso não quer dizer que não aconteceram tropeços. O segundo filme da história foi realmente bem decepcionante. Por isso, pelo menos para as pessoas que gostaram do primeiro (a maioria), esse filme era cercado de expectativas para saber que linha os produtores Americanos seguiriam: a do primeiro ou a do segundo.

Ainda bem que seguiram a do primeiro!

Como podem perceber na sinopse, o foco do filme volta a ser o protagonista McQueen (algo que não ocorreu no segundo filme e que gerou grande parte da crítica). Ficou evidente que a Pixar quis forçar nos primeiros 15 minutos, e também nos trailers, que não cometeria o erro de dar força demais para os coadjuvantes da animação. Por isso, de maneira até meio chata, temos uma parte inicial bem burocrática e de apresentações de novos personagens e, também, da nova situação que o filme proporá.

Como estamos falando da Pixar, proprietária de uma capacidade ímpar de produzir roteiros diferentes e criativo, a parte maçante do filme vai ficando para trás. Com a história de uma possível aposentadoria de McQueen e a aparição de jovens corredores o filme vai ganhando corpo. Fazendo uma ligação direta com o primeiro filme e excluindo seu anterior de uma possível linha do tempo.

Com esse novo conjunto de peças o roteiro vai apresentando suas novas personagens. E, aqui, começam os devaneios geniais do diretor Brian Fee e sua equipe.

Com a intenção clara de encerrar um ciclo, o filme vai moldando um novo Relâmpago McQueen. Deixando ele menos mimado, mais focado no que quer e, o principal, mais respeitoso com os grandes feitos dos corredores que o antecederam – e aqui estamos falando de seu mentor Doc Hudson.

Esse olhar para o futuro respeitando o passado cria uma aura positiva para o filme. Vemos uma onda de respeito e gratidão que floreiam o ambiente da animação deixando-a mais profunda e consistente. Aqui temos o que podemos chamar de ensinamento. Por se tratar de uma filme de alto impacto no público infantil é fundamental que esses valores sejam difundidos, e a Pixar consegue fazer isso como ninguém.

Há ainda um outro aspecto, gigantesco, a se comentar: o feminismo. Sim, temos aqui um filme que antes era focado em um público predominantemente masculino sendo invadido pelas mulheres. E pasmem machistas preconceituosos, isso só colaborou com a trama. Com o anexo de personagens femininas no filme, e de maneira bem importante, vamos vendo essa corrente de mudanças que está atingindo a sociedade na tela, sendo algo representativo de que o mundo já não é o mesmo de anos atrás. Temos aqui um pequeno passo para a representatividade das mulheres que são apaixonadas por carros e corridas. Claro que já temos exemplo de mulheres corredoras ou que trabalham no meio, mas ainda não são nem perto de 50% e muito menos tem um representante nos cinemas a altura para representá-las. Pois bem, a magistral empresa da lâmpada saltitante conseguiu mais uma vez quebrar esse muro.

Tudo isso cercado de uma maravilhosa fotografia, dessas animações que parecem que estamos vendo um filme feito com câmeras, e não computadores. É incrível ver o potencial que os recursos digitais estão atingindo, sendo capaz de produzir belas paisagens e cenas complexas com uma riqueza de detalhes digna da mãe natureza.

Para não deixar passar em branco e não perder a essência da história, dois pequenos nichos do mundo das corrida foram bem sinalizados: a imprensa e a publicidade. A parte da imprensa não tivemos novidade, sempre com a questão do sensacionalismo que já estamos acostumados e a questão dos paparazzi e comentaristas ácidos. Mas a questão de como o mundo dos negócios vem interferindo na parte esportiva, essa sim, foi bem cutucada.

Enfim, para não alongar muito mais que isso, Carros 3 consegue emocionar e fazer o bem, duas coisas fundamentais para um filme ser bem taxado. Claro que não temos aqui o melhor filme da Pixar ou da Disney, mas ainda sim temos um ótimo filme para encerrar a franquia iniciada lá em 2006 pelo brilhante John Lasseter – diretor do primeiro filme e uma das principais pessoas da Pixar).

PS: aplausos para o curta “Lou”que acontece antes do filme principal. Uma peça importante e capaz de tocar até o mais insensível ser humano.

Comentários

comentários

About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

Leave a Reply

Your email address will not be published.