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Projeto 365 – Dia 250 – Dunkirk

Se você gosta de filmes simples, daqueles que o herói fica evidentemente em destaque e centraliza as ações para facilitar o entendimento da história, esse filme não é para você.

Sinopse:

Na Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser resgatados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial. A história acompanha três momentos distintos: uma hora de confronto no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) precisa destruir um avião inimigo, um dia inteiro em alto mar, onde o civil britânico Dawson (Mark Rylance) leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, e uma semana na praia, onde o jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead) busca escapar a qualquer preço.

Opinião:

É muito importante para o entendimento desse filme que ele seja visto como uma obra complexa. Conforme a sinopse nos mostra temos um pequeno recorte do início da segunda grande guerra, algo que precisa ser entendido de antemão para não se perder na história – o diretor Christopher Nolan não fará um resuminho básico para te lembra quem eram os aliados e muito menos quem estava do lado de quem.

O roteiro é divido em três partes. E essas partes não contém um mesmo timing, algo que pode, e vai, embaralhar a cabeça. Teremos um conflito temporal, pois minutos, horas e dias tem uma significação diferente para cada personagem desse trabalho.

Acontece que, embora esses três núcleos vivam em um timing diferente a história e o tempo são os mesmos. Portanto, o que um fizer influenciará, e muito, no outro. E essa é a mágica do roteiro de Christopher Nolan. O diretor, escritor e produtor desse filme criou uma obra matemática de como dividir o tempo para nos explicar, em detalhes, como é uma guerra para quem luta, para quem espera e para quem depende dos outros.

Tudo isso para nos apresentar um episódio da guerra que dificilmente entre em destaque, dando importância para um trecho de uma batalha sangrenta que, ao invés de matar, acabou salvando uma infinidade de vidas já dadas como condenadas.

Como se não bastasse tudo isso, Nolan ainda nos reserva um outro presente: IMERSÃO.

O diretor vai colocar câmeras embutidas dentro de aviões, barcos, navios, armas, capacetes, macas e em mais uma infinidade de lugares. Tudo para criar uma atmosfera real de como é estar em guerra. Sentiremos uma imersão digna de realidade virtual, só que sem aqueles óculos gigantescos. É incrível observar que a grande maioria das cenas que vemos na telona são reais. Existe pouco recurso digital, um filme feito com habilidade e precisão técnica à moda antiga (além de muito dinheiro).

Claro que a parte técnica existe. E ela está bem presente na parte sonora. Aqui aliás está o ponto alto do filme. Nenhuma imersão é completa sem o som. É ele que nos orienta para onde e para quem olhar. Esse filme criará uma atmosfera ensurdecedora, nos mostrando como é a sensação de termos uma bomba caindo sobre nossas cabeças e como é ser alvejado por balas e mais balas enquanto estamos confinados em um barco.

A fotografia é outro destaque – aliás, esse filme só tem destaque. Mas, enfim, é bem interessante observar como as câmeras tem importância. Mais do que elementos que registram a história, elas se tornam olhos. Como citei acima, elas vão ajudar na sensação da imersão, mas também será umas das únicas ajudas para entender a parte da divisão temporal. Está na fotografia e na luz a bússola para nos orientar e chegarmos até o fim desse filme com o entendimento completo do que vimos.

Em resumo, retratando um episódio pouco lembrado, eu mesmo não o estudei na escola, com heróis sem nome e uma batalha sem glamour. Nolan nos apresenta a história da guerra como ela é. Tudo feito por pessoas que tinham medo e nem sabiam direito o que estavam fazendo, sendo tomadas por um espírito nacionalista que as levaram para uma guerra sem sentido e para um destino indefinido.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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