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Projeto 365 – Dia 247 – O Círculo

“Vamos construir o futuro”

Sinopse:

“O Círculo” é uma das empresas mais poderosas do planeta. Atuando no ramo da Internet, é responsável por conectar os e-mails dos usuários com suas atividades diárias, suas compras e outros detalhes de suas vidas privadas. Ao ser contratada, Mae Holland (Emma Watson) fica muito empolgada com possibilidade de estar perto das pessoas mais poderosas do mundo, mas logo ela percebe que seu papel lá dentro é muito diferente do que imaginava.

Opinião:

Hoje em dia, com blogs e redes pessoais, todo mundo acaba dando pitaco em absolutamente tudo. Pra filme então… A maioria dos pitacos que tenho visto sobre esse filme, pelo menos no meu círculo, é que ele é fantasioso e exagerado.

EU DISCORDO.

Diferente de muitas pessoas que vivem de sites de cinema, críticas, patrocínio ou simplesmente estão opinando, eu vivo e trabalho dentro de uma consultoria. O trabalho lá dentro é prever tendências para estar à frente e, com isso, oferecer as empresas que nos contratam a possibilidade de também estar um passo além.

Isso envolve muitos estudos diários de tudo que permeia o meio político, tecnológico e social e, posso garantir, esse filme não tem nada de fantasioso.

Google e Facebook hoje, data em que esse filme é lançado, dominam de forma esmagadora a verba de publicidade que a maioria das empresas depositam no ambiente digital – e acredite, isso não é pouco. Estou falando de micro empresas de uma pessoa, a gigantescas companhias de tecnologia. Isso vai gerando um big data (compilado de dados) que possibilita que, essas empresas, entendam perfeitamente a capacidade de compra de absolutamente TODO MUNDO.

Ainda existe o outro lado, dominado hoje pela Apple, Samsung, Google e algumas marcas chinesas, que são os equipamentos que nos colocam dentro desse ambiente digital. Esse compilado restrito de gigantes companhias de tecnologia, sem a menor dúvida, sabem absolutamente tudo sobre nós. E o pior disso é que quem dá essas informações para eles somos nós, de maneira gratuita e super fácil, ganhando em troca apenas curtidas, comentários frios e nada mais…

É simplesmente sobre que o filme trata. Ele tenta abrir os nossos olhos para o buraco que estamos nos enfiando. 

A privacidade e a liberdade são os dois elementos colocados a prova. Por meio da desculpa de resolver os problemas do mundo, a tecnologia começa a nos aprisionar, tentando de uma maneira quase infantil moldar o ser humano a apenas fazer coisas boas, ignorando completamente nossa essência problemática e imperfeita.

Esse filme provoca análises bem filosóficas para quem quer entender o meio em que estamos inseridos. Vale muito a pena prestar atenção na forma como a tecnologia consegue transformar a mente das pessoas, fazendo-as acreditar que o melhor caminho é a perda da privacidade em prol da segurança. Estamos começando a fazer o que Zygmunt Bauman (filósofo Polonês) previu lá atrás: esvaziando as piscinas para nossas crianças aprenderem a nadar com segurança…

Vale a pena falar como o diretor James Ponsoldt conduziu o roteiro baseado no livro de Dave Eggers. O time desse filme é diferente dos outros; teremos aqui um filme de começo curto, apenas para apresentar a rotina sofrida da personagem principal, Mae Holland (Emma Watson); um meio extremamente alongado, no qual veremos toda a trama se desenrolar e seremos apresentados ao Círculo, empresa que agrupa de uma forma didática todas as empresas que eu cito acima, inclusive usando o ponto forte de cada uma – Apple, apresentação de produtos e serviços, Google compilados de dados e busca, Facebook com integração de redes e por aí vai. Para finalizar, um final curto, seco e surpreendente, servindo como um belo tapa na cara para nos fazer abrir os olhos.

Em resumo, vale o ingresso. É surreal o mundo que estamos construindo e precisamos ficar de olho para não nos entregarmos as promessas da tecnologia, esperando que encontraremos lá a solução ideal para todos os nossos problemas. Antes que pensem o oposto, eu gosto da tecnologia e acredito sim no potencial transformador dela, mas sempre precisamos desse tipo de discussão para que nada ultrapassemos os limites. Lá atrás, pessoas importantes previram situações caóticas que infelizmente não conseguimos evitar, portanto ainda dá tempo de revermos muitos dos caminhos que estamos escolhendo, basta só observar o passado para construir um futuro com bastante cuidado e sem perdas de direitos fundamentais como a liberdade.

Um detalhe final, abaixo deixo a nova sede da Apple, da qual o filme se baseia para construir a sua sede, qualquer semelhança não é mera coincidência.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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