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Projeto 365 – Dia 246 – Animal político

“O homem é um animal político, um animal que tem tendência para constituir uma “polis” – a mais perfeita das comunidades e não uma qualquer sociedade. Ele podia ser um animal meramente social ou meramente familiar, sem ser um animal político.”

A frase acima é uma das maiores conclusões filosóficas que Aristóteles proclamou ao analisar o homem. Junto desse ensinamento estão anexados todos os estudos de Platão e Sócrates, além do próprio Aristóteles, sobre o que é viver em sociedade e, o mais importante, o quanto o homem é um ser especial e acima dos outros animais.

Tendo essa base conceitual como plano de fundo para o filme, Tião, diretor dessa produção brasileira, dá vida a uma vaca, sim, um animal bovino que, de maneira provocativa vive como um ser humano padrão dos dias de hoje e, assim como todos nós, começa a questionar sua posição no mundo.

Sinopse:

Uma vaca sempre levou uma vida tranquila: ela tem pais que a amam, boas condições financeiras, muitos amigos. Ela sempre sai, se diverte, faz compras no shopping e passa o tempo na academia. Mesmo assim, existe uma sensação de vazio. A vaca tenta estudar e se tornar culta, mas isso também não alivia as angústias. Ela decide então partir sem um destino preciso, em busca de autoconhecimento.

Opinião:

Lendo o texto inicial, além da sinopse, fica claro que não temos um filme padrão de Hollywood. A ideia aqui é ser provocador e questionador, algo bem característico desse tipo de obra filosófica.

Não temos aqui nenhuma novidade, Tião insere na telona um questionamento antigo e bem tradicional no mundo da filosofia; uma fonte das quais muitos filmes e diretores já beberam. A novidade está no uso de um quadrúpede para representar o ser em dúvida, brincando com a frase “animal político” que, na sua essência, representa o homem, e não qualquer animal.

Agora, tirando isso de não ser novidade, o filme consegue cumprir sua função. A ideia de colocar em pauta um questionamento social e pessoal é algo interessante de trazer para o cinema. O humor apoia a ideia, servindo como alívio cômico para dar suporte a um tema complicado e que sempre será de difícil compreensão.

Essa é outra questão desse estilo de filme. Devido a proposta não ter uma resposta padrão, teremos o uso do recurso da interpretação, algo que gera cenas sem muito sentido e que exige muito diálogo e leitura para se obter um resultado. É parte integrante dessa composição ir buscar respostas após o filme. Assim como propunha Sócrates, o diálogo é a forma mais pura e precisa de se chegar a conclusões, e foi através desse tipo de comportamento que o ser humano passou a ser considerado racional e, por consequência, deixou de ser um mero animal.

Em suma, com um orçamento baixo e uma produção que demorou três anos para sair do papel, Tião nos brinda com um desses filmes que tem por objetivo nos tirar da zona de conforto; colocando em tela um tema inicial para discutirmos o nosso lugar nesse mundo. Proporcionado aos que se proporem a assistir o início de um diálogo mais profundo e filosófico sobre o que é a vida, quem somos e como queremos viver a partir de agora.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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