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Projeto 365 – Dia 245 – Mulher Maravilha

Sinopse:

Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

Opinião:

Com sua primeira aparição datada em 1941, a Mulher Maravilha conseguiu se inserir em um universo dominado por homens. Sempre sendo representada com muita força e coragem, a eterna Amazona conseguiu cavar seu espaço na coleção preciosa dos heróis da DC Comics.

Começo com essa abertura pelo simples fato de que, graças a esse histórico, o roteiro já ganha um corpo. A diretora Patty Jenkins não precisava se preocupar em criar uma persona nova, bastava a ela dar vida a personagem criada por Charles Moulton e desenhada por H. G. Peter. Só com isso já era quase impossível ter erro. Ainda mais com as atuais ebulições femininas em buscas dos seus direitos por igualdade.

O mérito da diretora fica por conta de conseguir, de maneira bem interessante, como trabalhar com essa personagem em dois universos distintos: o do próprio filme e, o que é mais difícil, o universo da Liga da Justiça, já que esse filme integrará a sequência de filmes da DC Comics.

Já que cito o roteiro, é interessante observar a forma como foi usada a linha do tempo. Com recursos alineares, bem leves e tradicionais, a construção do filme não inova, mas consegue ser correta e cumpre o papel de contar uma história clássica.

O principal ponto do destaque está, óbvio, na personagem principal. A caracterização da personagem com moldes bem puros é, para mim, um dos maiores acertos dessa trama. Essa pureza representada por uma personagem que foi criada em uma ilha dá um charme no filme. Ao confrontar a realidade vivida por Diana e o mundo “real”, temos conflitos ideológicos bem filosóficos, ainda mais com a origem grega, e mitológica, que a personagem está inserida.

Esse conflito é auxiliado pelo personagem do ator Chris Pine. Ele, como um bom representante da raça humana, traz consigo defeitos e qualidades, expondo para Diana e para os espectadores o quanto nós, humanos mortais, somos problemáticos e irresponsáveis, mas ao mesmo tempo bondosos e carentes.

O ponto negativo fica por conta dos exageros cênicos e dos erros de perspectiva. Há muitos pulos, câmeras lentas e jogadas de cabelo. Isso vai deixando o filme com um aspecto mais infantil, tentando agradar o público com recursos antigos e pobres. A questão da força da Amazona também fica colocada em cheque, já que tem horas que ela aparenta uma força sobre humana e, quase que na cena seguinte, mostra uma fragilidade digna dos mortais.

Mas nada disso estraga o filme. Serve apenas para dar argumentos para pessoas que não gostam desse estilo de obra falarem mal.

Em suma, com mais acertos do que erros, Gal Gadot e a diretora  Patty Jenkins conseguem oferecer uma boa representante dos direitos femininos e, o principal, trazem a tona o quanto nós, seres humanos, somos imperfeitos e precisamos melhorar. É realmente uma experiência bem produtiva pararmos para pensar na forma como estamos tratando nossos semelhantes, agindo sempre com ódio e nunca aceitando as diferenças.

PS: A paleta de cores merece um comentário. A fotografia de Matthew Jensen presta serviços nobres ao filme. Com o capricho desse aspecto técnico é perfeitamente possível sentir a diferença da Ilha que Diana vive para o mundo real. Além é claro do capricho em criar os cenários de guerra – lembrando que o filme se passa na Segunda Guerra Mundial.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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