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Projeto 365 – Dia 240 – Fragmentado

Sinopse:

Kevin (James McAvoy) possui 23 personalidades distintas e consegue alterná-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Um dia, ele sequestra três adolescentes que encontra em um estacionamento. Vivendo em cativeiro, elas passam a conhecer as diferentes facetas de Kevin e precisam encontrar algum meio de escapar.

Opinião:

“Ele está a caminho…”

Você conhece M. Night Shyamalan? Se o nome soou familiar é porque ele foi o diretor de filmes bem impactantes, além, é claro, de ser o condutor dessa obra perturbadora que é “Fragmentado”. Shyamalan dirigiu filmes como “Sexto sentido” e “Corpo fechado”, sempre implementando o estilo suspense dentro de suas obras.

“Fragmentado”, um terror psicológico, monta uma teia de personagens em apenas um ser humano, contando com um trabalho de alto nível do ator James McAvoy para se chegar a esse resultado. McAvoy entrega, ao todo, 23 personagens dentro da trama, fazendo atuações inacreditáveis ao mudar de personalidade dentro da mesma cena, usando apenas o recurso da expressão facial e corporal, trejeitos nas falas, e um ou outro acessório de figurino.

O jeito como esses personagens flutuam pela cena é realmente um destaque. O estilo e as características de cada personalidade são respeitadas com afinco, exibindo um esforço tremendo de caracterização de toda a equipe. McAvoy merece destaque, mas fica claro que essas personalidades só conseguem ganhar vida graças a um excelente trabalho técnico de roteiristas, direção e, principalmente, de edição.

A forma como contaram uma história tão complexa de maneira tão simples, colocando relatos de psicólogos dentro da trama, reuniões em que se discutem casos parecidos, além de detalhes pequenos, como livros sobre múltiplas personalidades em cenas, é realmente fundamental para elevar o nível do filme, ofertando ao espectador um desses trabalhos que dá gosto observar com atenção e encontrar pequenas pistas do que virá pela frente.

A parte que dá uma diminuída na trama são as outras personagens. Nada contra as três atrizes que contracenam com McAvoy, e sim a forma como Shyamalan posiciona essas garotas na trama. Em determinada parte as jovens adolescente começam ser julgadas por não serem “perturbadas” e sim jovens “normais”, além do fato do diretor ficar as despindo com uma desculpa bem esfarrapada para mostrar o TOC de um dos personagens de McAvoy.

Shyamalan ainda traz, de maneira bem errada, o trauma do que é ser molestado quando criança, deixando a entender que pessoas que sofreram desse trauma são mais completas ou melhores do que as pessoas abastadas de vida mais confortável – um verdadeiro erro para um filme de temática psíquica.

Em resumo, entre acertos grandiosos e erros bem graves, “Fragmentado” entrega um bom filme do gênero consagrado por Hitchcock, mostrando toda a capacidade que um terror psicológico tem para criar bons personagens, tendo aqui uma trama que mistura ciência e fantasia.

PS com spoiler, leia apenas para entender o filme:

o filme ainda cria um crossover com outro trabalho de Shyamalan – “Corpo fechado”, integrando “Fragmentado” dentro desse universo, criando abertura para “Corpo fechado 2” e outras tramas para encerrar essa mescla.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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