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Projeto 365 – Dia 238 – Um homem chamado Ove

Sinopse:

Ove é um senhor mal-humorado de 59 anos que leva uma vida totalmente amargurada. Aposentado, ele se divide entre sua rotina monótona e as visitas que faz ao túmulo de sua falecida esposa. Mas, quando ele finalmente se entregou às tendências suicidas e desistiu de viver, novos vizinhos se mudam para a casa da frente, e uma amizade inesperada irá surgir.

Opinião:

“Não falamos sobre coisas que os outros fazem”

Baseado no best-seller sueco de mesmo nome, “Um homem chamado Ove” chamou muita atenção em seu país e nos outros tantos que receberam a tradução do livro. A partir disso, criou-se uma oportunidade para transformar o trabalho do jornalista Fredrik Backman em um longa metragem. A recepção ao filme não poderia ser melhor; bem visto na Suécia, foi escolhido para representar o país na disputa de melhor filme estrangeiro ao Oscar, além de receber outra indicação por maquiagem. Faço essa introdução pois, aqui no Brasil, não temos tanto interesse, ou acesso, a filmes de outras praças sem ser a Americana ou a brasileira – até a brasileira é difícil.

Amante de literatura que sou, tive o primeiro contato com “Ove” via livro, algo que comento no blog parceiro do Blackcine, só clicar aqui. Em suma, temos um livro muito bem construído e narrado, tendo como principal característica a construção do personagem principal através de humor e drama.

No filme isso não é diferente. Aliás, temos aqui um fato bem raro hoje em dia, um filme que segue quase que a risca a construção do seu irmão literário. Óbvio que temos pequenas adaptações, desde belos acréscimos da fotografia azulada e fria, até uma trilha sonora delicada com bastante ênfase em produções instrumentais. Mas a essência é a mesma, permitindo a criação de um roteiro bem emocionante e melancólico, com muita maquiagem para auxiliar todo o processo de construção das personagens.

Outra bom ponto desse trabalho é a escolha da linha temporal do filme/livro. Completamente alinear, a historia vai apresentando aos poucos os personagens coadjuvantes e, por consequência, como isso influencia na vida de Ove. E é aqui que entra o grande ponte chave dessa composição: OVE. Interpretado pelo ator Rolf Lassgård, vamos vendo em cena um personagem ranzinza e mal-humorado, mas que vai revelando sua doçura aos poucos. Rolf é bem engenhoso ao criar um Ove pseudo-agressivo e arredio, ao mesmo tempo que brilha ao trazer para tela as cenas mais sutis e delicadas.

É bem interessante notar o quanto se modifica a visão que vamos tendo de Ove. Tanto no livro, como no filme, fica evidente que, de cara, ele é uma pessoa insuportável e de mal com a vida. Mas aos poucos, vamos construindo uma empatia e identificação com o personagem e sentindo na pele aquilo que ele viveu. Aqui mora o principal ensinamento da narrativa, mostrando para os espectadores que absolutamente todo mundo tem uma história, basta um pouco de interesse e ausência de preconceito para podermos abraçar esse personagem intrigante e curioso.

A base da criação de Ove está nos princípios bem rígidos, sendo o típico Europeu Nórdico. Porém, o autor deu a ele um olhar diferenciado para a vida, criando um homem sem ambições, mas plenamente dedicado e ético. Isso gera, tanto nas versões jovens, como na mais madura, um Ove antissocial e fora dos padrões da sociedade, deixando o filme ainda mais interessante.

Resumindo, temos aqui uma história divertida e bem pesada, capaz de fazer o mais frios dos homens derrubar algumas lágrimas, mas que, tem como objetivo principal, ensinar a todos que é possível achar diamante em qualquer pedra, basta vontade para lapidar e conhecer os diversos lados.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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