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Projeto 365 – Dia 237 – Logan

Sinopse:

Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart). Debilitado fisicamente e esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma mexicana que precisa da ajuda do ex-X-Men para defender a pequena Laura Kinney / X-23 (Dafne Keen). Ao mesmo tempo em que se recusa a voltar à ativa, Logan é perseguido pelo mercenário Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina.

Opinião:

“Joey, não tem como viver com… um assassinato. Não tem como voltar de uma morte. Certo ou errado, é uma marca. Marcas ficam. Não há como voltar. Agora você vai para a sua casa, para a sua mãe, e diga a ela… diga a ela que está tudo bem. E que não há mais nenhuma arma de fogo no vale”.

A frase acima, citada dentro do filme, pertence a um clássico faroeste Americano chamado “Os brutos também amam”, de 1952 do diretor George Stevens. Usada por Charles Xavier, a frase acaba tendo duas funções dentro desse longa. A primeira, contextualizar a época em que o filme se passa, 2029; através da frase “esse filme já tem quase 100 anos” é possível traçar a linha temporal desse filme; algo bem útil, já que a saga X-men é perita em deixar seu espectador confuso na questão temporal. A segunda função dessas palavras é criar um paralelo entre Shane, personagem do faroeste, e Logan, já que ambos não tem boas experiências com armas e uma dor profunda pelas mortes que elas causaram.

É nesse clima de tensão, dramas profundos e uma quantidade de sangue suficiente para encher o rio Hudson, que o diretor James Mangold conta a história de Logan.

Esse último aspecto – violência, é bem gritante. Realmente temos aqui um filme apenas para adultos com estômago de aço, já que teremos cortes profundos, decapitações, mortes e cenas bem impactantes. Agora, longe dessa violência ser inútil ou sem propósito. Pelo contrário, as cenas evidenciam a raiva que as personagens desse filme possuem, demonstrando o quanto os mutantes, em específico Logan e a Pequena Laura, carregam dentro de si por conta da sociedade doente que temos.

“Logan” recebeu um capricho admirável. O diretor de fotografia John Mathieson traz planos bem fechados nos rostos dos atores, destacando com esse recurso o envelhecimento de Logan e Xavier. Esse recurso ainda ajuda a alavancar o lado dramático, dando as cenas a real intensidade que o roteiro exige. Ponto para os atores e para a maquiagem que encaram o desafio e agregam ao espetáculo. Outro destaque da fotografia, e da produção, são os cenários construídos. É nítido que no meio do caos de um ferro velho ou em cenas urbanas, houve um trabalho pensado e bem constituído.

A fotografia também enquadra bem as lutas, dando ao filme toda a ação prometida nos trailers. Antes de um filme dramático e com roteiro tenso, temos um filme de heróis contra vilões, garantindo o espetáculo bem intenso nesse sentido. Hugh Jackman mostra que ainda está em forma e dá vida a um Logan envelhecido, doente, mas com muita vontade de acertar as contas com a vida. Dafne Keen, a pequena Laura, é outra que merece destaque nesse quesito. Auxiliada com os efeitos digitais, a garota de 11 anos apresenta uma personagem misteriosa e raivosa, mas com um lado doce e infantil.

A atriz Dafne Keen ainda tem mais uma função dentro do roteiro: alívio para o drama. Com certeza temos aqui um filme bem puxado para o lado dramático, com muitas lutas e sangue. Todo esse desenho deixa esse filme pesado e angustiante, tendo em Laura um pequeno brilho infantil para suavizar as cenas. Claro que, depois de alguns segundos de sensibilidade, logo o clima volta a ficar robusto e cheio de gente morta espalhada pelo chão.

Ainda sobre Laura, vale a menção da origem dessa personagem. Também chamada de X-23, a atriz Dafne Keen vai dar vida a 23ª tentativa de clonagem de Wolverine, tendo sua primeira aparição no desenho X-men Evolution.

Outro fundamental ponto a se citar é como esse filme se encaixa dentro da sequência X-men. Por se tratar de um filme de 2029, temos vários indícios de o que acontecerá após o filme “Logan” e, o que é mais fundamental, o que vai acontecer com a saga X-men até alcançar o ano em que se passa esse filme. Claro que o caminho escolhido não é o melhor, chega a ser até um pouco confortável demais, porém, dentro da bagunça que criaram com essa série, “Logan” pode ter o mérito de corrigir rotas e ainda alinhar bem o contexto geral para eventuais novos trabalhos.

Em suma, até para não alongar esse texto ainda mais, temos aqui um excelente trabalho, capaz de emocionar, entreter e, o que era mais esperado, ajustar o roteiro problemático da saga X-men. Um filme como esse mostra cada vez mais o caminho que se seguirá os longas de super herói, sempre com batalhas intensas, mas com bastante recurso para o lado dramático e emocional das personagens. Vale também mencionar a questão que essa saga sempre levanta: preconceito. Os X-men sempre representam aquelas pessoas que não são plenamente ajustada dentro da sociedade, tendo algum aspecto que os diferencia e, por consequência disso, os exclui. Em tempos como o atual, com Trump e suas decisões polêmicas, esse é mais um trabalho artístico que levanta esse assunto e demonstra o quão perigoso é a descriminação.

Para fechar, esse vídeo que homenageia a saga de Hugh Jackman como Wolverine!

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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