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Projeto 365 – Dia 235 – Florence: quem é essa mulher?

Sinopse:

Florence Foster Jenkins (Meryl Streep) é uma rica herdeira que persegue obsessivamente uma carreira de cantora de ópera. Aos seus ouvidos, sua voz é linda, mas para todos os outros é absurdamente horrível. O ator St. Clair Bayfield (Hugh Grant), seu companheiro, tenta protegê-la de todas as formas da dura verdade, mas um concerto público coloca toda a farsa em risco.

Opinião:

“Podem dizer que cantei mal, mas não que não cantei”

É sempre uma surpresa assistir a um filme baseados em fatos reais. Ainda mais quando a história tem que criar as personalidades de pessoas não fictícias e montar, através de imaginação e fatos ocorridos, um quebra cabeça imaginativo do que aconteceu na realidade.

Grande parte do que vemos em cena é o resultado dos esforços do roteirista Nicholas Martin e do diretor Stephen Frears, responsáveis por desenhar a trama que envolve três personagens bem curiosos que passaram pela Terra.

Como cenário para aportar esse drama cômico, temos uma Nova York dos anos 1940; algo que sem duvida ajuda a construir uma fotografia deslumbrante e inspiradora, aproveitando edifícios, casas de espetáculo e construções antigas para transparecer a veracidade de um filme de época. Bem verdade que há partes da trama gravadas em Londres para aproveitar cenários internos já prontos.

A produção ainda conta com trabalho da figurinista Consolata Boyle (concorrente ao Oscar) para trazer um misto de glamour e fantasia, dando toque clássicos aos personagens masculinos com belos ternos e acessórios, mas podendo soltar a imaginação para ajudar a construir a personalidade exótica da protagonista desta história.

Tudo isso para trazer ao espectador essa trama surreal que é um misto de mentiras e sonhos. Desde o princípio do roteiro somos transportados para o seletivo mundo dos espetáculos líricos. Mundo esse que apenas pessoas com muito talento e/ou muito dinheiro podem entrar. Essa segunda opção é o caso da protagonista Florence Foster Jenkins, uma pessoa que sempre sonhou em ter uma voz celestial e cantar nas melhores casas de espetáculo. A diferença dessa história para todas as outras de luta por um espaço nesse pequeno ciclo, é que Florence não tinha talento algum, mas, pelo poder do dinheiro e dos contatos, conseguiu realizar seus sonhos.

Aqui está o grande detalhe que transforma esse filme de algo comum para uma história marcante. O que vemos em cena, por mais inacreditável que se possa imaginar, aconteceu. Florence Foster Jenkins conseguiu expor em uma das casas mais aclamadas do mundo da música, toda sua voz desprovida de afinação e talento, revelando toda uma trama costurada em cima do egoísmo e da mentira.

St. Clair Bayfield (Hugh Grant) é o elo dessa história, sendo o grande responsável por toda a teia intelectual de mentiras para a realização do desejo de sua esposa. A grande atuação de Grant faz, por mais sacana e odiosa que sejam suas atitudes, com que nos entreguemos e mergulhemos nesse imbróglio maluco e alucinado. Se, por um momento que seja, o espectador acreditar que Florence tem alguma capacidade vocal, 100% desse mérito se deve a esse personagem farsante e o bom trabalho do ator.

Outra parte importante, e surpreendente desse trabalho, está no personagem Cosmé McMoon do ator Simon Helberg. Na trama, Cosmé é chamado para acompanhar as aulas de canto de Florence. Para um pianista que busca seu espaço, ainda mais vindo de um centro nada lírico como o Estado do Texas, Mcmoon abraça a oportunidade e, por mais que discorde de tudo que está acontecendo, entra no jogo e se torna cúmplice notório desse engodo.

Helberg realmente surpreende com seu trabalho. Dando vida a um pianista tímido e bem contido, Simon consegue criar uma personagem passível de se acreditar e sendo, por mais que nunca seja escutado, a voz da razão dentro dessa loucura. Sua habilidade no piano também surpreende, mostrando ser um ator bem versátil.

Agora, quem merece o troféu, talvez não do Oscar, mas de ícone, essa é Meryl Streep. Claro que não estamos falando do melhor trabalho da atriz, nem muito menos que esse filme mereça atenção de grandes premiações, mas Streep consegue, de maneira única, dar vida a qualquer personagem. Essa trama tinha tudo pra ser um besteirol baseada em uma trecho melancólico da música clássica, mas Meryl consegue trazer para esse conglomerado de gente egoísta o lado da paixão pelo que faz. E por mais que sua personagem não tenha nenhum talento, a atriz que empresta o corpo a Florence tem de sobra, deixando essa obra com um tom de busca pelo sonho, ao invés de ser apenas um filme que apresenta o resultado de uma mentira bem elaborada.

Em suma, temos aqui um trabalho que dá muita angústia de assistir. Saber que essa história é real só mostra o quanto o ser humano é refém do dinheiro, tornando quem o tem escravo de uma realidade abastada. Além é claro de se cercar de parasitas que não tem nenhum compromisso com a verdade ou o bom senso, aprisionando a pessoa num clico de puxa-sacos e mentirosos.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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