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Projeto 365 – Dia 232 – A qualquer custo

Sinopse:

Interior do Texas, Estados Unidos. Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) são irmãos que, pressionados pela proximidade da hipoteca da fazenda da família, resolvem assaltar bancos para obter a quantia necessária ao pagamento. Com um detalhe: eles apenas roubam agências do próprio banco que está cobrando a hipoteca. Só que, no caminho, eles precisam lidar com um delegado veterano (Jeff Bridges), que está prestes a se aposentar.

Opinião:

Como dá gosto assistir a um filme com roteiro bem montado. Desses que o responsável pela história sabia exatamente o que estava fazendo. Taylor Sheridan, o responsável pela obra, vai desenhando na areia do estado do Texas a sua bela obra de um bang bang moderno.

Ele começa com um start acelerado e rasante, mostrando que seu trabalho não será um drama parado e monótono. Pelo contrário, seu texto foi transformado em um filme atrativo, consistente e bem coeso.

Logo de cara vemos uma das principais virtudes do filme: a construção das personagens. De um lado vemos dois policiais; um prestes a se aposentar com tiradas sarcásticas e bem típicas de um Texano (Jeff Bridges, concorrente ao Oscar de ator Coadjuvante), e o outro uma mistura física de índio com mexicano que aguenta as tiradas do veterano (Gil Birmingham) – uma bela dupla. Do outro lado temos dois irmãos, protagonistas do filme. Um com características mais agressivas e rudes (Ben Foster), o outro mais inteligente, calmo e sagaz (Chris Pine).

Essas duas duplas dialogam o filme todo, cada qual na sua característica; de um lado os polícias tentando decifrar os planos, no outro a execução do que parece ser mais um assalto a bancos.

Até aqui, nada muito novo. Porém, dentro dos detalhes é que moram os grandes tesouros. Esses diálogos vão ficando mais profundos, de ambas as duplas, construindo a personalidade desses quatros membros do elenco, pondo em cena uma aula de composição de personagens.

Conforme o filme vai caminhando, os contrastes dentro das duplas vão se intensificando. Porém o que seria motivo para afastá-los, os atraem. Nesse instante o filme fica com lados opostos bem consistentes, e por mais que tenhamos policiais versus bandidos, não somos obrigados a escolher um lado, dando um toque bem diferenciado a esse trabalho.

Como citado acima, inclusive na sinopse, esses assaltos tem um quê de vingança contra a instituição bancária que realiza as hipotecas a juros exorbitantes. De certa forma, isso acaba dando um crédito aos protagonistas, até pela forma diferenciada como agem.

A todo instante somos colocados na pele das pessoas que precisam hipotecar suas casas para arrumar dinheiro para tratar uma doença ou coisa parecida. Tudo isso na tentativa de tornar o ato desses irmãos um pouco mais nobre, se atendo inclusive a assaltos pequenos para quitação da dívida. Claro que não é do intuito do filme se tornar um exemplo, até porque nem de longe esses protagonistas são heróis clássicos sem defeitos, mas, ainda sim, é uma tentativa ousada do roteiro a criação de uma história sem “mocinhos”, deixando esse trabalho muito mais reflexivo e filosófico para uma questão problemática do capitalismo: bancos sempre enriquecem à custa da pobreza de pessoas humildes.

Para ajudar a encorpar a trama o filme ainda conta com uma trilha sonora envolvente e participativa, sempre colocando ritmos que integram a linha do country.

A fotografia também entra nessa linha de retratar as pequenas cidades do Texas. Seja com uma leve película amarelada na tela para ficarmos com a sensação de estamos em uma ambiente bem quente, até o uso de luzes bem duras para deflagar os belos pores-do-sol ao final de mais um dia da trama.

Em suma, utilizando todas as leis controversas do Texas como elementos agregadores – porte de arma, cassinos que não questionam origem do dinheiro, entre outras; temos um conjunto de cenas bem diretas e sempre com atuações que agregam algo a história, deixando ritmo desse trabalho intenso e sem enrolação. Para finalizar, ainda temos um desfecho que foge da mesmice e provoca ainda mais reflexão sobre as decisões, e suas consequências, que tomamos na vida.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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