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Projeto 365 – Dia 228 – Fences – Um limite entre nós

Sinopse:

A trama narra a vida de uma família negra nos EUA na década de 1950, cujo pai (Denzel Washington) e mãe (Viola Davis) enfrenta problemas raciais ao mesmo tempo em que tenta criar seus filhos. Um Limite Entre Nós possui um tema poderoso, criando grande expectativa, mesmo sem ter sido exibido previamente em qualquer lugar.

Opinião:

“Alguns constroem cercas para manter gente fora. Outros para manter gente dentro”

É muito nobre quando, nos dias de hoje, um filme opta por fazer o simples e investir no talento. A base conceitual desse trabalho dirigido por Denzel Washington está no passado. Não só porque a história se passa entre as décadas de 1950 e 1960, mas por conta da fonte teatral que o filme se baseia.

Inspirado em um obra de teatro de mesmo nome, “Fences” constrói uma história sem perfumes ou explosões, investindo toda sua força na simples normalidade do dia-a-dia. Para tornar isso possível, conta com apoio de um corpo de elenco que dispensa qualquer efeito especial, focando na entrega de uma obra predominantemente filosófica.

Por contas dessas características, “Fences” acaba não sendo um filme confortável. Sua linha dramática é lenta, possui pouquíssimos cenários, além de usar como recursos cenas e diálogos longos (bem longos mesmo).

Como podem ver na sinopse acima, os personagens de Denzel Washington e Viola Daves controlam as cenas. A partir da exposição da vida e história dos dois, vamos conhecendo um pouco de um contexto vivido por muitas famílias de origem humilde, onde pouquíssimas oportunidades são dadas e de quanto isso molda o carácter de cada um. Esses problemas familiares são somados ao preconceito racial contra pessoas negras, elevando o drama desse roteiro bem denso do diretor Denzel Washington.

No roteiro escrito por August Wilson, os dois atores principais centralizam a trama e os conflitos, levando o filme para caminhos surpreendentes e dramáticos. Vale muita a pena observar a forma como Denzel e Viola se comportam um com o outro, criando cenas que vão da mais pura alegria até a tristeza extrema.

No meio desses problemas familiares e discussões profundas, o filme ainda conta com pequenos detalhes para abrilhantar a narrativa. As analogias com o basebol usadas pelo personagem de Troy são riquíssimas e enriquecem os personagens; a cerca, que nomeia o filme, traz uma importância simbólica para o roteiro, sendo utilizada em diversas partes dos diálogos; a trama ainda apresenta um lado esotérico por parte de um personagem coadjuvante, deixando sempre em aberto uma questão que sempre envolve pessoas mais necessitadas: a fé.

Entre outras palavras temos aqui um filme bem denso, com histórias pesadas e uma realidade angustiante. De maneira sutil e indireta o filme ainda trata de problemas psicológicos, demonstrando que essa trama é infinitamente mais profunda do que se desenha. Temos aqui um filme que merece muita atenção, paciência e cuidado, pois só assim a experiência de assisti-lo se torna completa.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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