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Projeto 365 – Dia 227 – Estrelas além do tempo

Sinopse:

1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Opinião:

“Aqui na NASA, todos fazemos xixi da mesma cor”

Quando você acha que é impossível Hollywood produzir mais um filme sobre a corrida espacial, vem o diretor Theodore Melfi e nos contempla com “Hidden figures”. Por mais sensível que seja o título em português (“Estrelas além do tempo”), “Figuras ocultas” é o nome mais apropriado para a história dessas três pioneiras que cavaram um espaço na marra e colocaram sua inteligência acima de qualquer preconceito.

Com um tom leve de humor para aliviar o drama que se inicia, “Estrelas além tempos” vai nos apresentar três mulheres inquietas; através dos diálogos entre elas, vamos aos poucos sendo transportados para a época de 1960, sentindo as dificuldades e os anseios de cada uma.

A parte técnica também vem carregada de elementos para nos ambientar. Utilizando uma leve película amarelada para cobrir a tela, vamos sendo bombardeados por carros clássicos e seus rabos de peixe, cortes de cabelo altos e com topetes característicos da década de 1960, além de um figurino rico em detalhes e fundamental para entendermos como funcionavam as classes sociais – “mulheres na NASA só podem usar colar de pérolas e eu nem tenho dinheiro para isso”.

Outro bom ponto da parte de técnica está no uso de material histórico da época. Concentrando-se mais no segundo e terceiro atos do filme, esse detalhe dá um brilho a mais para a história, mostrando jeitos variados de exposição que vão de imagens de antigos discursos presidenciais, transmissões de rádio e TV, até de cenas reais das construções de foguetes que geram uma bela mescla de ficção e realidade – aqui temos uma boa mostra do zelo que foi a produção.

Por se tratar de histórias de pessoas da área de exatas: físicos, engenheiros, matemáticos etc., o filme se concentra muito mais em trazer diálogos técnicos do que emocionais. Por conta disso, veremos infinitos diálogos sobre sequência numéricas, contas elaboradas, discussões sobre material de foguetes, entre outros tantos assuntos do gênero, e pouco foco na vida pessoal de Katherine, Dorothy e Mary (tem, mas é pouco).

Kevin Costner e Kirsten Dunst, atores que interpretam funcionários da NASA, cumprem bem o seu papel e são coadjuvantes que se destacam ao encenar a superioridade que homens e brancos possuem dentro da empresa que sonhava em tocar as estrelas.

Para aliviar esse contexto, a trilha sonora tem papel fundamental. O trio Hans Zimmer, Pharrell Williams e Benjamin Wallfisch foram os responsáveis por trazer emoção para a trama, algo que facilita a aceitação do filme e traz para a trama toda a beleza que ela merece.

Porém, como não poderia ser diferente, o maior destaque desta obra são as três atrizes e as histórias que apresentam. Octavia Spencer (indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante), Janelle Monáe e principalmente Taraji P. Henson dão vida a essas histórias. As três atrizes representam as dificuldades que mulheres negras tinham para mostrar seu valor, adquirir conhecimento e ter o respeito pelos seus colegas. Durante o decorrer do filme as três apresentam seu potencial em cenas que variam da total contenção de emoção, até a total explosão, causando um impacto positivo na qualidade do filme. Tudo isso feito através de diálogos elaborados dessas três histórias cruzadas.

É bem interessante termos um filme blockbuster como esse na atual sociedade. Até hoje mulheres e negros enfrentam esses problemas relatados no roteiro, talvez menos escrachados e mais mascarados, mas ainda sim presente. Pensar que essas histórias são reais é algo que demonstra o quanto precisamos evoluir. E por mais que o cinema deixe tudo mais exagerado, com trilha sonora emocionante e colocando algumas hipérboles para fantasiar as histórias, é lamentável e vergonhoso para nós humanos ainda não termos erradicado comportamentos como vemos nesse filme. Como a própria Dorothy Vaughan diz: “Os direitos civis nem sempre são civis para todos”.

Por fim, por mais que muitas pessoas não gostem desse termo, “Estrelas além do tempo” é um filme feminista, colocando a mulher no mesmo patamar dos homens e, o que é mais importante, dando mais valor ao aprendizado, talento e esforço do que para cor, gênero ou classe social. Afinal, como disse Katherine Johnson: “Não estamos aqui porque usamos saia, e sim porque usamos óculos”.

Comentários

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

2 comments

  1. Saudações! Eu estive lendo seu website por algum tempo e, finalmente, tenho a bravura de ir em frente e dizer o quão estou embasbacado com sua qualidade de escrita!
    Só queria mencionar o quanto acho excelente seu trabalho!

  2. Sim, é uma prazerosa discussão referente ao tópico desse artigo nesse website, li tudo, comentei
    somente para demonstrar minha alegria com seu artigo.
    Irei acompanhar bem mais seus textos!

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