Home / Estreias / Projeto 365 – Dia 226 – A chegada

Projeto 365 – Dia 226 – A chegada

Sinopse:

Quando seres interplanetários deixam marcas na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para traduzir os sinais e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade.

Opinião:

“O que acontece agora? Eles chegam”.

Quantas vezes você já presenciou alguma invasão alienígena na sua vida? Não vale incluir nessa lista obras cinematográficas. Sem querer ser adivinho, com toda certeza a resposta será: nunca. Agora, se você perguntar isso para Eric Heisserer, escritor da história que dá origem ao filme, a resposta provavelmente será diferente.

Digo isso pois, ao comparar essa história com qualquer outra com o mesmo tema, Eric é um dos únicos a não dar tanta importância para todo o temor que esse evento causaria. Sua história se foca em questões diferentes, deixando de lado o clichê das correrias e as evacuações que sempre vemos.

De início isso causa a sensação de que caímos de paraquedas na história, nos sentindo perdidos e até com impressão que o filme deixou de nos dar alguns detalhes ou está se perdendo. Mas aos poucos vamos percebendo que todo esse jogo de falta de informação vai fazendo parte de um suspense que, de maneira engenhosa, leva o roteiro para outros caminhos.

A comunicação é o primeiro destaque. A forma como Louise (Amy Adams) vai desenvolvendo métodos para se comunicar com seres que não possuem os mesmos códigos de comunicação que nós, humanos, é algo que toma boa parte do filme, deixando o contexto geral menos intenso e mais pragmático. Aqui as pessoas que esperam ação e contextos de guerra vão se decepcionar bastante com o filme, pois, como já citei acima, diferente de outras histórias, esse roteiro parte para um lado mais intelectual e até acadêmico do que seria uma invasão alienígena.

Outro bom ponto retratado nessa narrativa é a importância de uma liderança sábia. Num momento como o atual, que temos líderes mundiais preconceituosos e fechados para diálogos longos e de extrema importância, esse filme dá uma aula de quanto o ser humano pode ser burro e incompetente se deixar as decisões importantes sair de mãos despreparadas e sem nenhum discernimento.

É claro que um filme como esse não pode deixar de ter detalhes técnicos para gastar os 50 milhões de dólares que foram investidos. A fotografia bem aberta e mostrando horizontes atraentes enchem os olhos dos espectadores; dá para perceber que houve um capricho poético em algumas cenas para que ganhássemos um tempo para digerir a história; méritos para a dupla Patrice Vermette e Paul Hotte, responsáveis pela fotografia e, também, para o diretor Denis Villeneuve.

A parte sonora também merece destaque, ainda mais em um filme que se propõem a tratar do assunto comunicação. Tendo a facilidade de não precisar captar áudio, já que os aliens desse filme obviamente são criados em computador, o filme tem uma edição sonora perfeita. Dá para ouvir a limpeza sonora que fizeram, deixando apenas respirações e sinais sonoros que os aliens usavam para se comunicar.

Antes das palavras finais é válido fazer uma menção sobre um bom detalhe dessa trama. O filme contém flashbacks, algo que deixa a história com um tempo alinear; isso, se não usado de maneira sábia, só atrapalha e confunde o filme, mas, a forma como Villeneuve usa esse recurso chama muita atenção, ajudando o espectador a entender o quebra-cabeça que o roteiro vai montando.

Dito isso, com uma montagem que traz um suspense/drama, “A chegada” oferece um filme bem inteligente e que exige atenção, oferecendo respostas de uma maneira simples para quem tiver paciência para ver a trama até o final. Vale a dica de assistir esse filme com a mente aberta e se permitir entregar ao que a história propõem, pois o fator surpresa do final é bem perspicaz.

Comentários

comentários

About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

Leave a Reply

Your email address will not be published.