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Projeto 365 – Dia 225 – Moonlight: sob a Luz do Luar

Sinopse:

Crônicas da vida de um jovem negro (Chiron), desde a infância até a idade adulta, e suas dificuldades para encontrar seu lugar no mundo, enquanto cresce em um subúrbio de Miami.

Opinião:

“Na luz da lua garotos negros ficam azuis”

Ano passado (2016) o Oscar ganhou o apelido de “White Oscar”, uma alusão ao fato da completa ausência de negros nas indicações do prêmio. A partir disso, muitas providências foram tomadas para que a diversidade ganhasse espaço, afinal, a ausência de pessoas negras não ocorreu por falta de competência dessas pessoas, e sim por conta de uma mentalidade antiga e segregadora que ainda temos.

A maior prova disso está aqui: Moonlight – sob a luz do luar. O filme dirigido e roteirizado por Barry Jenkins tem 100% do corpo de elenco formado por pessoas negras, e oferece uma história surpreendente e cheia de caprichos técnicos.

O mais belo dos detalhes fica por conta da fotografia. Utilizando uma paleta que predomina cores frias, em especial o azul, Moonlight vai desenhando sobre a tela o visual da cidade de Miami a partir do olhar do protagonista, variando os ângulos de câmera e as cores utilizadas a partir dos sentimentos do personagem.

Com uma história que logo nos primeiros minutos já anuncia um drama, vamos acompanhando a vida de Chiron, algo que divide o filme em três partes, sendo cada uma delas representada por um ator.

Nessa parte do roteiro não temos grandes novidades, algo que pode prejudicar o longa na sua disputa por roteiro adaptado, mas, para compensar uma possível falta de originalidade ao representar o sofrimento que um jovem negro passa no seu cotidiano, algo que todos sabemos que é complicado, Moonlight apenas usa isso como plano de fundo para um drama ainda maior, elevando o filme e trazendo novas discussões para espantar qualquer clichê que os espectadores possam imaginar dentro desse contexto: homem negro e pobre.

Para auxiliar essa história e aumentar ainda mais a expectativa gerada pelo filme, Moonlight apresenta um ritmo lento e com peças soltas, algo que, somente ao longo do filme, vai se encaixando; tendo como principal ponto os diálogos que vão aparecendo em cena. Nessa parte se destacam os dois atores indicados ao Oscar – Naomie Harris (Paula – mãe do protagonista) e Mahershala Ali (Juan – dono do tráfico que ajuda Chiron), além de André Holland e Jharrel Joreme, que interpretam (em duas fases da vida) Kevin , o melhor amigo de Chiron.

A parte sonora ajuda a orientar os sentimentos desses diálogos, tendo presença marcante com músicas bem emotivas e, o que é mais surpreendente, com o uso do silêncio, deixando apenas sons de cenário (brisa marítima, pessoas andando, etc.) para criar todo o peso que as cenas pedem. Vale aqui um destaque para Caetano Veloso; O brasileiro tem uma música inserida no filme, “Cucurrucucu Paloma”.

Entre outras palavras, no meio de diálogos preenchidos pelo silêncio, desejo e culpa, Moonlight vai tratando do sofrimento de um jovem que, desde cedo, leva várias rasteiras da vida, mostrando ao espectador a importância de estarmos atentos para questões sociais e raciais, mas que não restringe o filme a apenas isso, acrescentando novos elementos para deixar a história ainda mais forte e importante. Temos aqui um filme que não promete diversão ou um mero passatempo, e sim reflexões.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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