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Projeto 365 – Dia 223 – Capitão fantástico

Sinopse:

Ben (Viggo Mortensen) tem seis filhos com quem vive longe da civilização, no meio da floresta, numa rígida rotina de aventuras. As crianças lutam, escalam, leem obras clássicas, debatem, caçam e praticam duros exercícios, tendo a auto-suficiência sempre como palavra de ordem. Certo dia um triste acontecimento leva a família a deixar o isolamento e o reencontro com parentes distantes traz à tona velhos conflitos.

Opinião:

“Somos definidos por nossas ações, não por palavras” – Significado da palavra ação: evidência de uma força, de um agente.

Esse agente em questão é um pai que, assim como os outros, quer o melhor para seus filhos, e que luta contra tudo e contra todos para prover o que ele acha certo para sua prole. A partir disso, temos um roteiro que inspira o confronto de ideologias, que expõe pontos positivos e negativos para os dois lados, permitindo que o espectador aprenda com essas personagens e provoca uma reflexão sobre a vida.

Com uma fotografia bucólica e florestal, acompanhamos a criação diversificada de uma família isolada da civilização, ocupando boa parte do filme para mostrar seus hábitos e influências. Em determinada parte do filme somos expostos à frase: “Não há cavalaria, ninguém vai te salvar magicamente”. Frase dita por um pai ao ver o filho se machucando e exigindo dele que se recupere sozinho e siga em frente.

Aqui temos um pequeno exemplo do que veremos no filme. A reação mais natural que nós, seres civilizados da cidade, temos é de correr e ajudar nosso filho. Essa é a ideia do diretor Matt Ross, provocar o espectador a raciocinar como esse pai, nos colocar na mente e coração dessas pessoas dentro de situações difíceis e complicadas, provocando uma série de reflexões ao longo do filme.

Grande parte desses conflitos orbitam ao redor dos filhos de Ben (Viggo Mortensen). Os seis atores que interpretam as crianças/adolescentes desse trabalho são os responsáveis por toda essa carga dramática, além de centralizar todos os conflitos. Destaque para George MacKay (Bo) e Nicholas Hamilton (Rellian) que protagonizam os principais conflitos. Mas, sem dúvida alguma, é Viggo Mortensen (que atuou em Senhor dos Anéis) que merece ser ressaltado. Sua capacidade de centralizar as discussões e de criar um personagem forte e inteligente é admirável.

Com uma trilha sonora agradável e bem escolhida, acompanhamos o drama do conflito entre “pessoas da cidade” versus “família criada no meio da floresta”. É interessante observar o quanto os dois lados tem a aprender um com o outro, mesmo que, por diversas vezes, não se compreendam.

Um dos argumentos mais fortes utilizados no roteiro para se mostrar a diferença entre métodos de criação é a religião. Do lado da cidade vemos cristãos com sua vida já bem esquematizada e que basicamente ocupa grande parte das Américas; do outro somos expostos a uma cultura mais de livre pensamento e apego ao natural. Aqui acontece o maior embate, provocando, mais uma vez, a necessidade de olharmos para esse conflito desprendido de preconceitos, tentando entender que nem sempre aquilo que seguimos é o certo para outras pessoas.

É importante notar como as pessoas que ficam no meio desse imbróglio sofrem, pois são obrigadas a viver fora da sociedade padrão por conta de um pensamento diferente. O filme tenta expor, de maneira mais leve, todo esse conflito que temos entre civilizações por conta de questões religiosas, mostrando o quanto deixamos de viver por querer estar certo, sobre onde viemos ou quem nos criou.

Basicamente, um ótimo filme capaz de nos fazer pensar. Extraindo de nós, seres humanos com um cérebro privilegiado, a capacidade de tentar resolver esses conflitos que nos separam, para que aí sim, possamos ter um destino mais nobre.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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