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Projeto 365 – Dia 222 – A bela da tarde

Sinopse:

Séverine (Catherine Deneuve) é uma jovem rica e bonita, porém infeliz. Ela ama seu marido (Jean Sorel), um médico, mas eles não são tão íntimos quanto ela deseja. Ela procura um discreto bordel, comandado pela Madame Anais (Geniviève Page), para realizar suas fantasias eróticas. Ela trabalha como prostituta à tarde e à noite retoma a vida de casada.

Opinião:

“Vamos chamá-la de Belle de Jour, já que só vem à tarde”

É muito comum que, ao fim de um filme, todas as peças se liguem e a história ganhe um sentido, passe uma mensagem ou conclua um raciocínio. Os filmes, assim como grande parte das histórias, possuem uma linha que define começo, meio e fim. Grande parte deles, porque não é o caso de “A Bela da Tarde”.

De 1967, dirigido por Luis Buñuel, “Belle de Jour” é baseado na obra de Joseph Kessel e conta a história de uma burguesa casada com um médico, que passa suas tardes trabalhando no bordel de Madame Anaïs.

A Bela da Tarde, ou Séverine é interpretada por Catherine Deneuve, ícone do cinema francês. Assim como Barbarella (filme da mesma época), é um filme que tem como tema central o sexo, mas em momento nenhum ele é explicito. As cenas de sexo sem consentimento conseguem causar repulsa, mesmo vivendo no imaginário de quem assiste, criando empatia com o trabalho da atriz.

Os cortes bruscos de cenas que mesclam realidade e sonho, passado e futuro, deslocam o espectador, acabando com qualquer sensação de certeza sobre o filme. Essa é a melhor tradução para a história: Incertezas, característica dos filmes de Buñuel – Por que uma mulher rica, casada com um homem bem sucedido se sujeitaria a ir para cama com homens que ela sequer conhece? O que ela acredita ser verdade é verdade ou apenas sonho?

Se a personagem de Deneuve se sente deslocada, perdida, o diretor Buñuel consegue não só traduzir essa sensação através de Belle de Jour, como imprime em quem está do outro lado da tela esse sentimento de confusão.

Belle de Jour não é uma história para quem tem sede de compreensão, é intrigante, questionador. Não tente buscar uma lógica, uma ordem cronológia. Ele é o que é, e por ser o que é, se tornou um dos filmes mais emblemáticos da carreira do seu diretor e de sua atriz principal.

Obs.: Destaque para o figurino de Deneuve, primeira de muitas parcerias com o estilista Yves Saint Laurent. As peças estruturadas e elegantes são características da década de 1960 e inspiraram mulheres do mundo todo.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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