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Projeto 365 – Dia 221 – Moana: um mar de aventuras

Sinopse:

Moana Waialiki é uma corajosa jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania, vinda de uma longa linhagem de navegadores. Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar a família, ela resolve partir em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Acompanhada pelo lendário semideus Maui, Moana começa sua jornada em mar aberto, onde enfrenta terríveis criaturas marinhas e descobre histórias do submundo.

Opinião:

“Não vou em uma missão com uma garotinha”

Desde que o cinema foi inventado pelos Irmãos Lumière a “telona” representou a sociedade em que vivemos, seja através da realidade pura, ou das fantasias/sonhos das pessoas. Portanto, observar e estudar o cinema é equivalente a fazer uma grande análise sociológica dos tempos atuais ou de quando o filme foi produzido.

Mas, você que está lendo esse texto pode pensar: o que raios isso tem a ver com o filme Moana? Afinal, Moana é um filme da Disney, infantil; como pode se encaixar dentro dessa análise já que nem é dirigido por um diretor cult (John Musker é o diretor?)

E é exatamente para responder a essa pergunta que começo esse texto. Reparem na frase destacada no início desta composição: “Não vou em uma missão com uma garotinha”. Frase dita pelo Semideus Maui, um homem forte e de personalidade bem caraterística de um homem comum, para Moana, uma jovem franzina que vive em uma pequena ilha no meio do nada (sem querer ofender o lugar paradisíaco ao qual o filme se passa – Oceania).

Como esse filme se trata de um Disney legítimo, não é difícil imaginar que Maui muda de opinião em relação a Moana, acredito que isso não seja um spoiler, até porquê, ela é a protagonista. Mas o que quero ressaltar é exatamente isso. Mesmo em um filme na qual uma mulher é a protagonista, ela ainda tem de provar o seu valor para o público. Algo que seria normal, até porque, ela deve provar ser capaz de enfrentar os perigos ao qual está se metendo e convencer o público da sua força. Mas será que muitas vezes não questionamos uma mulher apenas por ela ser uma mulher? Será que não temos embutidos em nossos subconscientes a informação de que uma mulher jamais seria capaz de fazer isso ou aquilo? E antes de ficar PUTO com a pessoa que escreve esse texto, caso você não concorde com ele, tente fazer uma pequena análise sobre a questão que coloquei acima, sobre o cinema ser o espelho da sociedade, e repare se Moana não é exatamente isso.

Que fique claro que não estou criticando a Disney, ou a produção do filme; retratar a realidade dentro de um filme infantil é um mérito gigante. E Moana vai muito além disso. Além de quebrar a cara desse Semideus que a diminuiu, ainda consegue com sua força e coragem romper barreiras do preconceito, algo que pode ser inspirador para que garotas e mulheres busquem a igualdade de gênero, além é claro, de mudar a opinião de homens como Maui e, o que é o melhor dos cenários, os transformar em uma pessoas melhores.

Para provar que isso não é uma viagem da minha cabeça, vamos pegar o enredo dessa história, observando os detalhes para mostrar a força que esse filme tem. Dentre os personagens do filme, existe Tala, a avó de Moana. Nitidamente uma senhora sábia, dona de informações que poderiam ser fundamentais para tirar o povo de Moana da calamidade. Reparem como ela é tratada como uma bruxa dos séculos anteriores, que nada mais eram do que mulheres de tempos passados com inteligência superior e que eram taxadas de loucas por ter um conhecimento da qual muitos não compreendiam.

Outro exemplo, temos o pai de Moana. Um homem doce e sábio que lidera sua tribo, mas que tem dificuldades gigantescas em deixar a filha seguir suas intuições e confiar a ela as resoluções de problemas grandes e complexos, delegando a filha apenas pequenos problemas do dia a dia da ilha.

Não preciso nem dizer como o filme termina e, o principal, quem estava errado e pede desculpas…

Enfim…

Além de toda essa questão ideológica, Moana ainda é exuberante. Com uma fotografia digna de Oscar, vamos acompanhando uma aventura recheada de cores e sensações, deixando o filme agradável e leve para qualquer idade.

O roteiro ainda conta com personagens menores para auxiliar o drama, inserindo pequenos alívios cômicos dentro dessa complexa viagem infantil. Abaixo a foto do personagem que mais centraliza essa missão.

Por fim, apesar do excesso de músicas (algo que o próprio filme critica), Moana supera expectativas, colocando essa nova heroína em um caminho positivo para que, no futuro, quando estivermos estudando o cinema, tenhamos aqui um divisor de águas na luta por uma sociedade melhor.

PS: o curta que passa antes do filme “trabalhos internos” é, sem dúvida alguma, um dos melhores trabalhos já realizados entre a parceria Disney/Pixar. Absolutamente lindo e pertinente. Parabéns ao diretor brasileiro, Leonardo Matsuda, responsável por esse trabalho.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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