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Projeto 365 – Dia 220 – Uma Lição de Vida

Sinopse:

Obra baseada em uma história real, da qual se conta o quanto era difícil a vida no Quênia e, o quanto pessoas como a que esse filme retrata tiveram que batalhar para ter um país livre. O Queniano Kimani N’gan’ga Maruge, um octogenário que lutou para aprender a ler e a escrever, teve que enfrentar todo tipo de adversidade em nome da educação. Ex-combatente de um grupo de revolucionários que lutou contra os ingleses pela independência do Quênia, aos 84 anos, ele recebe uma carta da Presidência de seu país e resolve se matricular em uma escola primária com o objetivo de decifrá-la.

Opinião:

“Eu serei um bom aluno, trabalharei duro”

Vivemos em um mundo de muitas histórias, muitas das quais não sabemos e, infelizmente, não aprendemos nem com nossos pais nem nas escolas que frequentamos. Por uma série de motivos, nós, brasileiros, pouco estudamos a história Africana, sempre dando ênfase nos estudos históricos locais e dos continentes Europeus e Norte-americanos.

Felizmente o cinema é uma ferramenta que pode corrigir isso; e esse é o papel fundamental do filme do diretor britânico Justin Chadwick. Retratando o país do Quênia, somos expostos a dura vida do povo local; um povo que sofre com a influência do passado e tenta seguir em frente com as cicatrizes que marcaram seus corpos.

Com esse plano de fundo, o roteiro pincela uma notícia que gerou esperança: “A partir de hoje, todos terão acesso a livre educação”. Munido dessa informação, o protagonista da história, Kimani N’gan’ga Maruge, interpretado brilhantemente pelo ator Oliver Litondo, dá início a sua busca pessoal que afetou milhares de pessoas.

A partir daí, vemos um filme bem simplório, que tem na sua fotografia cenários bem humildes e estrutura verdadeiramente usadas pelas pessoas do país, tentando ser o mais fiel possível na hora de retratar as condições sub-humanas que essas pessoas vivem.

Logo nos primeiros minutos somos apresentados à história de vida do protagonista, usando um contexto alinear para apresentar o que ele viveu no passado para libertar o Quênia e, o que o filme mais enfatiza, sua luta para conseguir vencer o preconceito para poder se educar.

Essa teia que mistura presente e passado vai traçando a personalidade de Maruge, assim como dos outros personagens, colocando o espectador no olho do furacão de uma população completamente dividida entre tribos, refém da situação que qualquer país fica ao adquirir uma liberdade vinda de séculos de escravidão.

Os ângulos de câmera vão ajudando a deixar o clima ainda mais dramático. Com closes profundos nas expressões dos atores, aliado a câmeras subjetivas que nos colocam na pela de Maruge, vamos acompanhando o filme sob o olhar dificultoso de um idoso de 84 anos, tendo sempre como marca muitos desfoques para representar suas dificuldades.

O filme esquece de nos apresentar o lado político da história, passando bem por cima, algo que pode soar como ponto negativo, já que todo esse sofrimento é por motivos políticos. Porém, o enfoque na história de Maruge faz com que nos inspiramos a conhecer essa memória por completo, tendo um impacto ainda maior do que uma história com todas as peças.

Dito isso, temos aqui uma cinebiografia, nos contemplando com o drama vivido por um homem que sempre quis seu país livre, capaz de nos ensinar valores valiosos para nossas vidas.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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