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Projeto 365 – Dia 219 – Um cadáver para sobreviver (Swiss army man)

Sinopse:

Hank (Paul Dano), um homem perdido em uma ilha do Pacífico, e sem esperanças, encontra um corpo no meio do caminho. Decidido em ficar amigo do morto, eles vão partir, juntos, em uma jornada surrealista para voltar para casa. Ao mesmo tempo em que Hank descobre que o corpo é a chave para sua sobrevivência, ele é forçado a convencer o morto o quanto vale a pena viver.

Opinião:

“O que é vida?”

Existem alguns filmes que nos fazem refletir. Esse tipo de filme costuma ser padronizado, com algumas frases feitas e com histórias que abrangem superação e/ou uma série de acontecimentos que fazem o personagem principal ter uma iluminação, alcançando um suposto nirvana onde todo o sofrimento é substituído pela habilidade de se auto conhecer e auto aceitar. Porém, os diretores Dan Kwan e Daniel Scheinert quebraram essa máxima, e conseguiram fazer um besteirol, desses com puns e diálogos sobre sexo, terem reflexões profundas e a tal da iluminação que citei no início desse parágrafo.

“Swiss army man” propõe algumas reflexões importantes sobre nossas vidas, utilizando a morte como principal fator reflexivo. A ideia desse roteiro maluco é transformar o olhar que o espectador tem para algumas questões chaves que interferem no processo de auto conhecimento e educação. Questões como sexo, amor, amizade, funcionamento dos nossos corpos, dentre outras infinidades de assuntos serão retratados sob um ponto de vista mais limpo, sem a cultura conservadora e social que todos já temos embutidos em nossos cérebros quando esses são os assuntos.

Entre alguns peidos e conversas sobre masturbação, o filme vai tratando de alguns tabus da sociedade, usando um humor fúnebre para conseguir rir e falar de assuntos que quase nunca são colocados em pauta, principalmente entre filhos adolescentes e seus pais.

A partir disso, e depois de toda a trama ganhar corpo, o segundo ato começa a mostrar o quanto nós, seres humanos, precisamos de outras pessoas, além é claro das emoções que elas nos trazem. Para mostrar isso, o roteiro utiliza as artes, apelando para a música e o cinema para nos reensinar a sentir a vida e a essência dos sentimentos. Aqui é interessante observar o quanto a trilha sonora se enquadra no roteiro, por vezes ganhando espaço como um personagem que interagem com os atores Paul Dano e Daniel Radcliffe.

Por falar nos atores, é essencial ressaltar o trabalho dos dois. Sei que vou contrariar a língua portuguesa ao fazer esse comentário, mas os dois atores conseguiram protagonizar um monólogo em dupla. Como cada personagem tinha sua realidade, um vivo e outro morto, ambos tinham desafios gigantes de atuação. Paul tinha que dar vida a um personagem que flerta entre a completa loucura e a racionalidade total, sendo o principal responsável, ao lado dos efeitos especiais, por criar o lado lúdico e imaginativo do filme. Já nosso eterno Harry Potter tinha que trazer vida a um cadáver em putrefação, uma tarefa que só prova que o ator Daniel Radcliffe já está pronto para abandonar o personagem que o fez famoso e seguir adiante.

Outro bom ponto em discussão é a loucura. No meio dessa jornada escatológica será proposto a nós, espectadores, pensarmos sobre o que estamos assistindo. Aqui o pensamento pode voar alto, mas exige que você deixe para trás todo o seu conceito sobre a vida, para que aí sim defina o que acabou de assistir, decidindo ou não se isso é uma completa insanidade ou uma nova forma de ver a vida.

Entre outras palavras, temos aqui um filme que flerta com o belo e o nojento. Criando uma simbiose ousada de reflexão e humor, nos fazendo pensar sobre como seguiremos adiante.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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