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Projeto 365 – Dia 215 – Frankenweenie

Sinopse:

Victor adora fazer filmes caseiros de terror, quase sempre estrelados por seu cachorro Sparky. Quando o cão morre atropelado, Victor fica triste e inconformado. Inspirado por uma aula de ciências que teve na escola, onde um professor mostra ser possível estimular os movimentos através da eletricidade, ele constrói uma máquina que permita reviver Sparky. O experimento dá certo, mas o que Victor não esperava era que seu melhor amigo voltasse com hábitos um pouco diferentes.

Opinião:

“É fácil prometer o impossível”

Antes de começar a falar sobre o filme, deixe-me descordar da legenda acima. Quem lê esse conjunto de palavras logo pensa: “mais uma animação boba para crianças”. E não, esse filme não é apenas para crianças e, o mais importante, não tem nada de bobo.

Com uma fotografia preta e branca, lindas transições de cena e um banho de referências de filmes de terror antigo, Tim Burton oferece ao espectador um pouco da loucura que é sua cabeça, criando um personagem praticamente autobiográfico. Algo que gera uma interessante metalinguagem, já que Victor produz pequenos filmes de terror dentro de uma animação com a mesma temática.

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Com um roteiro bem didático, Burton oferece as informações que o espectador precisa para ter um completo entendimento da sua ideia, usando os primeiros minutos para relembrar conceitos básicos de ciência que precisamos para não ficarmos perdidos, além de nos nivelar com o cérebro privilegiado do protagonista Victor.

Aliás, esse é um ótimo detalhe a se observar com bastante atenção, já que um dos objetivos dessa trama é tentar acabar com a ignorância das pessoas. Inclusive, em um determinado trecho somos submetidos a frase “Acho que vocês todos são ignorantes, desprovidos de iluminação e que temem a ciência como cachorros temem balões ou raios”.  Aqui fica evidente a tentativa de abrir os olhos das pessoas, para que comecem a entender aquilo que temem, usando a ciência como exemplo, mas que pode ser aplicado a qualquer situação das nossas vidas.

A frase em destaque no início do texto é outra grande estrela desse projeto da Disney com Tim Burton. Aliada a outra frase do filme, “Nem sempre os adultos sabem o que falam”, esse trabalho tenta quebrar a barreira de que apenas adultos são pessoas responsáveis e que crianças são seres ignorantes e desprovidos de qualquer inteligência. Utilizando a tristeza e, porque não, a estranheza de Victor, o longa traça caminhos sombrios para mostrar ao mundo a profundidade do cérebro infantil, mesclando o lúdico com o racional em uma simbiose única para defender o intelecto infantil.

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Para aumentar ainda mais o capricho e elevar o nível desse projeto, a produção do filme ainda capricha na trilha sonora e nos acabamento dos cenários, criando uma complexa produção de uma hora e meia capaz de causar diversas sensações a quem se propor a se entregar a história. E fica ainda mais interessante se você notar que o processo de produção é todo artesanal e feito com a técnica de Stop-motion

Como menciono acima, Burton referencia os clássicos do terror, indo muito além da paródia de Frankenstein que o título menciona. Filmes como “A noiva de Frankenstein” “O Corcunda”, ” Lobisomem”, “Godzila”, Monstro da Lagoa Negra” e “Múmia”, além dos atores Vincent Price, Boris Karloff e Peter Lorre são homenageados e agregam ainda mais nessa animação perturbadora. Além é claro da referência a uma obra do próprio Tim Burton, “A noiva cadáver”, já que Victor e o cão Sparky são os mesmos personagens que aparecem na excêntrica animação.

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Por fim, ainda vale mencionar que o filme questiona alguns valores da nossa sociedade e oferece bons ensinamentos para adultos e crianças, algo que deixa claro a influência da Disney nesse poço de loucura que é a cabeça e as ideias de Tim Burton. De fato um ótimo trabalho

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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