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Projeto 365 – Dia 210 – Doutor Estranho

“Esqueça tudo o que você acha que sabe”

Sinopse:

Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) leva uma vida bem sucedida como neurocirurgião. Sua vida muda completamente quando sofre um acidente de carro e fica com as mãos debilitadas. Devido a falhas da medicina tradicional, ele parte para um lugar inesperado em busca de cura e esperança, um misterioso enclave chamado Kamar-Taj, localizado em Katmandu. Lá descobre que o local não é apenas um centro medicinal, mas também a linha de frente contra forças malignas místicas que desejam destruir nossa realidade. Ele passa a treinar e adquire poderes mágicos, mas precisa decidir se vai voltar para sua vida comum ou defender o mundo.

Opinião:

Ao olhar “Doutor Estranho” e observar os dilemas pelo qual o personagem é exposto, dá para cravar que esse é um dos trabalhos mais ambiciosos da Marvel no cinema. Pouco pelo arco dramático já gasto “mundo médico” versus “mundo mítico”, e muito mais pelo assunto metafísico envolvendo questões de tempo e espaço.

Antes de falar da metafísica e os efeitos de produção, que são absolutamente fantásticos, vale falar sobre outras partes do roteiro. Digo isso porque esse texto tende a ficar repetitivo no assunto de elogiar os efeitos especiais, e muita gente apenas falará disso ao assistir a esse trabalho (algo justo, realmente é fantástico).

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Mas o filme não é só isso. Apesar de achar já batido essa escolha de um médico egocêntrico ir buscar a cura dos seus maus psicológicos e físicos no mundo místico do oriente, tendo a perdoar a Marvel por conta da origem da personagem, algo que vem lá dos anos 1960, para ser mais exato 1963. E perdoo não só porque eles fizeram isso primeiro que os outros lá atrás com Stan Lee, mas por conta de como é importante para o ser humano ter a consciência de que  ele não é o centro do universo, algo que todo médico e pessoas com o ego acima do normal flertam diariamente.

Esse embate entre ciência e magia (que vai muito além de religião) é algo clássico e sem fim. Toda pessoa de bom senso não pode afirmar a não existência daquilo que não se pode provar, algo que deixa essa questão eterna e quase sempre sem resolução. Ver um filme de herói que ousa tratar desse assunto, me agrada. Acho corajoso a abordagem do tema e sinto que isso pode agregar elementos positivos no universo Vingadores; mesmo que sendo feito de maneira bem delicada e quase imperceptível.

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Dito isso, ainda antes de falar dos efeitos, também devo elogiar os atores do filme. Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) consegue dar autenticidade ao papel de um egocêntrico descendo do pedestal, algo que Rachel McAdams  ajuda muito. Rachel apesar de um papel diminuto e quase esquecido se destaca nos minutos dramáticos que passa em cena; fora sua capacidade ímpar de ajudar com a parte dos sustos causados pelas cenas. Tilda Swinton merece aplausos. Quando esse pessoa se propõe a fazer algo místico, não há para ninguém; sua capacidade de criar uma áurea de ser superior é realmente algo que pode salvar um filme. E por fim, Mads Mikkelsen que só faz vilão – e mais uma vez bem, e Chiwetel Ejiofor num papel fundamental do guia do protagonista.

Agora sim podemos ir aos efeitos. A clara inspiração desse trabalho vem do premiado “A origem” do diretor Christopher Nolan. A criação de um mundo sem tempo nem espaço estabelecido pelo efeito da gravidade é algo absurdo. Diferente do filme “A origem” que esse recurso aparece poucas vezes, “Doutor Estranho” abusa disso. Coloca esse mundo rotativo e sem bases estabelecidas quase que o tempo todo, criando um espectro psicodélico digno dos anos 1960. Sim, a sensação que o filme passa para o espectador é que, ao invés de pipoca, todos consumiram LSD e viajaram para a década da droga alucinógena. Algo que o figurino do personagem principal ajuda.

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Minha única crítica fica por conta do mais do mesmo que os filmes da Marvel insistem em partir. No meio do roteiro somos expostos a frase “Os vingadores estão aí para defender o mundo dos problemas físicos, nós estamos aqui para resolver os espirituais”; Se isso fosse verdade, seria épico. Mas infelizmente quase todas as resoluções do filme caem no senso comum da porrada e batalhas campais. Para dar nota dez para esse trabalho fica a sensação que poderiam ter ido mais fundo na história, abusado mais do lado espiritual tão rico que o nosso mundo conhece; colocando sempre essa discussão entre ciência e religião para apimentar, e porque não, acrescentar ao filme.

Mas, ainda sim, o trabalho merece destaque. Sinto, como disse acima, que esse personagem vai fazer muito bem ao universo dos “Vingadores”. E se, dentro desse universo permitirem que o Doutor Estranho assuma o lado filosófico e espiritual, vou me dar por satisfeito.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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