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Projeto 365 – Dia 206 – Inferno

“Procure e ache”

Sinopse:

Florença, Itália. Robert Langdon (Tom Hanks) desperta em um hospital, com um ferimento na cabeça provocado por um tiro de raspão. Bastante grogue, ele é tratado por Sienna Brooks (Felicity Jones), uma médica que o conheceu quando ainda era criança. Langdon não se lembra de absolutamente nada que lhe aconteceu nas últimas 48 horas, nem mesmo o porquê de estar em Florença. Subitamente, ele é atacado por uma mulher misteriosa e, com a ajuda de Sienna, escapa do local. Ela o leva até sua casa, onde trata de seu ferimento. Lá Langdon percebe que em seu paletó está um frasco lacrado, que apenas pode ser aberto com sua impressão digital. Nele, há um estranho artefato que dá início a uma busca incessante através do universo de Dante Alighieri, autor de “A Divina Comédia”, de forma a que possa entender não apenas o que lhe aconteceu, mas também o porquê de ser perseguido.

Opinião:

Eu aguardava, com certa ansiedade, esse novo trabalho do diretor Ron Howard. A sintonia que ele tem com Dan Brown, autor da obra ao qual o filme se baseia, vem de longa data, principalmente ao transcrever para a tela outros dois trabalhos do escritor, “Código da Vinci” e “Anjos e demônios”.

Por conta disso, características positivas como a marcante trilha sonora produzida por Hans Zimmer, a fotografia exuberante, ajudada pelos cenários das cidades de Florença, Veneza e Istanbul, e um romance meio água com açúcar já eram esperados.

Mas, infelizmente, qualquer detalhe positivo foi mascarado por uma adaptação negativa ao roteiro original.

cena-do-filme

Ao começar o filme, as câmeras subjetivas e as imagens reproduzindo o “inferno” da obra de Dante agradam. O contexto do filme incomoda, no bom sentido da palavra, o espectador ao transportá-lo para a mente machucada de Robert Langdon que está atordoado no hospital. A trilha sonora acelerada acompanha o ritmo intenso do trabalho e deixa o espectador com aquela sensação de taquicardia, prometendo a quem assiste revelações ao término do longa. Revelações essas que são bem confortáveis e comerciais.

Acontece que, na parte final do filme a história é alterada do roteiro original.

A partir daqui eu peço que só leia quem já viu o filme ou leu o livro. Sei que não é usual, nem agradável, em um texto como esse citar trechos ou detalhes importantes do filme, mas faço desse texto um desabafo em defesa dos consumidores de literatura que são desrespeitados ao ver a obra que leram ser alterada por diretores e roteiristas que só querem finais confortáveis e vendáveis. 

Antes de ir aos trechos fundamentais, sei que adaptações são importantes. Filme nenhum consegue trazer para a tela todos os detalhes do livro. Ainda mais de obras como a de Dan Brown que são caprichadas em detalhes históricos. Acontece que há elementos que devem ser respeitados, até por conta de coerência da comunicação que, usa os leitores dos livros, como evangelizadores do filme por conta da qualidade da obra que leram.

Repare na imagem abaixo que trago do livro. Nesse trecho Sienna, personagem que no filme é misteriosa e que muda de lado na parte final, mostra seu arrependimento, algo que não existe no filme. Aqui ela conversa com Elizabeth Sinkey sobre o aprendizado que a OMS pode ter com o mal que ajudou a causar.

trecho-do-livro-inferno

Isso demonstra que, diferente do filme, o vírus foi solto, como podem ver nesse outro trecho que separo. Reparem também que o vírus não é fatal como o filme apresenta, ele tem características bem diferentes e mais filosóficas que impactarão em mais mudanças que quero demostrar.

trecho-2-do-livro-inferno-dan-brown

Esse trecho é da parte final da obra de Dan Brown, o que demonstra também que Sienna, diferente do filme, sobrevive e, pior, ainda tenta ajudar, sem sucesso, que o vírus de Zobrist se espalhe.

Há ainda outras mudanças marcantes como críticas pesadas feitas a Organização mundial da saúde ou personagens que eram importantes e simplesmente desapareceram. Mas repito, não sou contra adaptações e modificações no roteiro original, desde que respeitem o contexto da obra.

Já é um incomodo imenso para os leitores acompanhar os filmes sem aqueles detalhes que tanto abrilhantam a obra, mas fazer modificações estruturais já é um desrespeito sem precedentes. Faço esse texto na posição de admirador das duas artes, cinema e literatura, para que possam conviver da melhor maneira possível. Uma arte não pode sobrepor a outra. O cinema é uma das artes mais novas que existe, até porque, antes dele vieram as outras 6 artes que o ajudaram e, ainda ajudam, a construir o que ele se tornou.

Dentro da tela vemos o fruto de músicos, literários, dançarinos, poetas, entre outros, tudo convivendo harmoniosamente e gerando essa arte divina que é o cinema, mas a partir do momento que esse ciclo de respeito passa a ser quebrado, quem mais perde são os amantes da arte, algo que jamais poderei defender.

Para mim, esse filme é um desserviço a arte do cinema.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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