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Projeto 365 – Dia 201 – Café Society

“Alguns sentimentos nunca morrem”

Sinopse:

Anos 1930. Bobby (Jesse Eisenberg) é um jovem aspirante a escritor, que resolve se mudar de Nova York para Los Angeles. Lá ele deseja ingressar na indústria cinematográfica com a ajuda de seu tio Phil (Steve Carell), um produtor que conhece a elite da sétima arte. Após um bom período de espera, Bobby consegue o emprego de entregador de mensagens dentro da empresa de Phil. Enquanto aguarda uma oportunidade melhor, ele se envolve com Vonnie (Kristen Stewart), a secretária particular de seu tio. Só que ela, por mais que goste de Bobby, mantém um relacionamento secreto.

Opinião:

Nos filmes de Woody Allen você pode ter a certeza que detalhes estéticos serão sempre valorizados. Em “Café Society” não é diferente. Retratando as cidades de Nova York e Los Angeles com um esmero brilhante, Vittorio Storaro, diretor de fotografia, transporta o espectador ao glamour da década de 1930. Agregado a trilha sonora delicada, sempre puxando para o jazz que Woody tanto ama, mais o figurino de época (parte feita pela marca Chanel) e a escolha da paleta de cores mais amarelada, temos a perfeição da parte estética.

O roteiro também não decepciona. Woody Allen, diretor e roteirista do filme, traz toda sua capacidade de falar sobre as relações humanas, expondo diversas situações que mulheres e homens passavam no passado e, infelizmente, continuam passando nos dias de hoje. A sensibilidade da obra torna o filme algo bem diferente de uma novela mexicana, tornando esses laços embaraçosos algo muito mais melancólico e reflexivo do que trágico e exagerado.

Cafe-Society_filmagem woody allen

De pano de fundo, como é possível notar na sinopse, temos a indústria do cinema. Na década de 1930 grandes artistas e produtores da sétima arte desfilavam por essas duas cidades retratadas no filme, encontrando-se em bares e cafés. Aqui está todo o centro do filme. Nesses locais estarão os melhores diálogos, as melhores cenas e a exibição de todo o aparato estético do filme.

Por último, quase todos os atores merecem destaque. Jesse Eisenberg e Steve Carell provam, mais uma vez, que podem fazer qualquer tipo de papel. Eisenberg interpreta o típico personagem que Woody Allen ama em seus filmes: inocente e que cresce com o passar da trama. Steve Carell, por sua vez, representa o que era ser poderoso nessa época, representando com ótima qualidade os conflitos profissionais e pessoais dessa classe poderosa da sociedade americana.

steve carell

Como parte negativa cito Kristen Stewart. A eterna atriz protagonista da série de filmes “Crepúsculo” decepciona. Seu personagem está no centro da trama, mas parece que ela faz questão de ser coadjuvante. A falta de expressão da atriz  até auxilia o andamento da personagem criada por Woody Allen, mas quando ela precisa explodir e que o foco de atenção das lentes estão em cima dela, nada acontece. Realmente ela não conseguiu repetir o bom trabalho do filme “Na estrada” onde foi peça de destaque.

Em resumo, “Café Society” entra na lista dos bons trabalhos de Woody Allen, expondo para seus fãs incondicionais o que ele melhor tem a oferecer: cuidado estético, bons roteiros e um drama bem construído.

cafe-society cenario

PS: Woody Allen trabalha como narrador do filme e sempre destaca observações bem importantes sobre todas as personagens da trama; vale a pena ficar ligado nesse detalhe para fazer um paralelo da nossa sociedade atual com a do passado, principalmente no aspecto de poder, dinheiro e ganância.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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