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Projeto 365 – Dia 197 – Meu amigo hindu

“Aqueles que ainda tem um sonho, tem mais chances de sobreviver”

Sinopse:

Diego (Willem Dafoe) é um cineasta diagnosticado com câncer terminal, cuja única chance de sobrevivência é se submeter a um transplante de medula óssea experimental, que apenas é realizado nos Estados Unidos. Assim, ele parte para Washington mas antes decide se casar e se despedir dos amigos. Já no hospital, ele conhece um menino hindu de apenas oito anos, que também está internado. Logo Diego passa a vivenciar com ele aventuras fantasiosas, inspiradas no cinema, que ajudam a suportar a dura realidade que os cerca.

Opinião:

Existem certas pessoas que olham para a vida com um olhar diferenciado. Tão único e distante da normalidade que fora criado um nome específico para defini-los: artistas. A palavra arte, originária do latim, significa capacidade de fazer algo. E esse “algo” que os artistas fazem é expor a vida como ela é, com todas as suas faces, perfeitas e imperfeitas.

Nesse filme, de tom melancólico, Hector Babendo faz exatamente isso, expõe a própria vida e a mistura com suas ideias, criando um contexto ficcional de uma realidade ofuscada por uma doença.

meu amigo hindu

Com um tom de despedida durante todo o trabalho, somos convidados a refletir sobre a vida. Mas antes de chegar na parte bonita e pura, trafegamos pelo mar dos desejos e das decisões, tornando essa navegação algo difícil de suportar, mas que trará presentes há quem aguentar.

Dentro desse mar abrupto vemos a podridão humana. Somos expostos ao pior que o ser humano pode chegar, utilizando uma doença para demonstrar o quanto somos capazes de ir ao fundo do poço. Os valores são postos a um tipo de prova que ninguém sai ileso. Babenco faz questão de nos dizer que somos impuros, usando uma gama diversificada e estendida de personagens para que absolutamente todos se identifique e faça uma reflexão.

selton mello

Para suavizar a trama temos um elemento chave na história: a inocência. Representada inicialmente pelo menino hindu que ilustra o título do trabalho, mas que no fim a vemos em outras diversas partes, fazendo parte do prêmio para quem chegar no fim da jornada proposta pelo filme.

Além do artista que dirige, ainda temos os artistas que estrelam a obra. Destaque para Willem Dafoe que se entrega a trama. Realiza um daqueles trabalhos imersivos e perturbadores, dando corpo para um personagem imagético e singular. Selton Mello e Maria Fernanda Cândido preenchem bem seus papéis de coadjuvantes de alta importância, em especial as tiradas sarcásticas e o sofrimento de Maria Fernanda e o jeito único de Selton interpretar um personagem bem peculiar.

elenco meu amigo hindu

Na parte técnica é interessante observar os cenários paulistas que preenchem a fotografia. São Paulo oferece o tom melancólico perfeito para o roteiro. A trilha sonora fecha esse contexto, oferecendo a experiência sensorial completa ao espectador.

Por fim, temos aqui um filme perturbado igual ao seu diretor, que mistura vida real com a ficção, criando um trabalho que agradará apenas aqueles que se entregarem a loucura do trabalho e se permitirem esquecer dos seus próprios valores. Nessa mistura de ficção com realidade, fica o aprendizado do que devemos valorizar. Nessa trama sem final, entendemos como há diversas possibilidades de se olhar a vida.

Ps: as homenagens aos clássicos do cinema abrilhantam ainda mais o filme

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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