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Projeto 365 – Dia 19 – A pele de Vênus

Quando se trata de um filme de Roman Polanski, você não deve esperar algo menor que genial, e por mais que isso se torne uma pressão para o diretor, ele consegue lhe surpreender, e faz outro filme que com toda a certeza merece o adjetivo de perfeito ao que se propõem…

Seu mais novo filme, “A pele de Vênus”, apresenta uma metalinguagem entre cinema e teatro, sendo que durante toda a filmagem, como já é de praxe nos filmes de Polanski, o cenário escolhido é único, nesse filme, o palco é literalmente um palco, para ser mais exato, um teatro.

A trama gira entorno de Vanda (Emmanuelle Seigner), uma atriz que usa todos os seus dotes para convencer Thomas (Mathieu Amalric) que ela é a pessoa ideal para ser a protagonista de sua mais nova peça, inspirada em obra de Sacher Masoch.

palco do filme a pele de venus

Mas a simplicidade do filme para por ai, pois Polanski gera um diálogo complexo entre as duas personagens. Ao iniciar o teste para avaliar Vanda (que aliás protagoniza aqui uma cena fantástica que mostra o quão especial é o trabalho de Emmanuelle Seigner), Thomas se surpreende com a capacidade da atriz, que doravante a julgava incapaz e sem a menor chance de protagonizar sua peça.

Ao passo que o filme vai se desenrolando e os dois vão passando o texto da peça, ocorre uma mescla de vida real e ficção, colocando os dois atores, Vanda e Thomas, dentro da peça que estão interpretando, criando uma confusão literária capaz de intrigar qualquer espectador. Aliado a isso, Polanski ainda joga outros elementos na história, como submissão, masoquismo e questões relacionadas a machismo e sexismo. Colocando os personagens da trama sempre defendendo, cada qual de um lado, uma posição desses assuntos. Tudo isso incluído no enredo da peça que Thomas está dirigindo, demonstrando o tamanho do controle que o genial Polanski obteve com essa trama, para que não soasse em momento algum um filme perdido em grandes ideias.

Como se não bastasse, o filme se inicia com Thomas na posição de autoridade perante Vanda. Ele com ideais e muito intelectualizado, e ela com um jeito relaxado e sem cultura, o que, no decorrer da filmagem, vai se modificando. Gerando uma paridade entre os dois e dando ao filme diálogos abertos e sem posições claras de quem está no comando, fazendo com que o poder flutue entre os dois, deixando o filme com argumentos fortes de ambos os lados.

Resumindo, um filme que quando você menos espera, acaba, fazendo com que o tempo voe, principalmente se você gosta de diálogos bem feitos e uma história capaz de lhe surpreender a cada instante, oferecendo cenas de uma qualidade que foge ao padrão, permitindo ao cinéfilos que se propuser a entrar na história, emoções que ultrapassam a normalidade.

a pele de venus la venus de las pieles

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.