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Projeto 365 – Dia 181 – A Juventude

“Ficar em relevância é uma tentação”

Sinopse:

Fred (Michael Caine) e Mick (Harvey Keitel), dois velhos amigos com quase 80 anos de idade cada, estão passando as férias em um luxuoso hotel. Fred é um compositor e maestro aposentado e Mick é um cineasta em atividade. Juntos, os dois passam a se recordar de suas paixões da infância e juventude. Enquanto Mick luta para finalizar o roteiro daquele que ele acha que será seu último grande filme, Fred não tem a mínima vontade de voltar à música. Entretanto, muita coisa pode mudar.

Opinião:

Paolo Sorrentino, diretor do filme, traz uma reflexão para o difícil e complexo quadro que chamamos de vida. Algo que, para ele, parece algo fácil de compreender. Seus dois últimos trabalhos (“A grande beleza” e “Aqui é o meu lugar”) revelam a predisposição do diretor a rever os conceitos do que é juventude e velhice, mostrando que a vida não deveria ser movida para esse sentido.

“La Giovinezza” (título original da obra) se apoia em duas grandes histórias de vida, dessas que nossas sociedade consideram de sucesso, para nos mostrar o que realmente importa ou, o que realmente vale a pena.

Paolo Sorrentino youth juventude

Há um paradoxo provocativo muito claro ao nomear um filme com tal alcunha e colocar como protagonistas personagens de idade. Algo que revela o quanto a vida é efêmera, não fazendo diferença alguma a idade que temos em nossos documentos.

Parte desse paradoxo começa ser explicado nos curtos diálogos provocativos entre as personagens principais e os coadjuvantes que vão se inserindo na trama. Todo um trabalho bem coeso para compor uma ópera em homenagem a vida, oferecendo músicas de todos os gêneros e espelhando a existência como ela é: cheia de pausas, intempéries e notas longas e suaves.

A metáfora usada acima é proposital, pois a trilha sonora ganha um quê de personagem do filme, sendo importante para a trama e para o roteiro.

A parte fotográfica também ganha seu tom de beleza. Exibindo cenários suíços e ângulos de câmera que os valorizam, o trabalho ganha um ar poético e pensativo, permitindo que o espectador vá se acostumando com o impacto da mensagem passada pelo diretor.

Por fim, até para coroar a montagem feita, tons de um humor indecifrável são jogados na tela de forma quase aleatória, brincando com o espectador que se propõem a interpretar as mensagens passadas pelo filme. Essas pequenas brincadeiras entram como forma de amenizar o contexto, mas ao mesmo tempo, ajudar a aumentar o impacto que uma vida mal vivida pode nos trazer.

PS: Ver Michael Caine é sempre um prazer…

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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