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Projeto 365 – Dia 175 – O Quarto de Jack

“Nínguém é forte sozinho”

Sinopse:

Joy (Brie Larson) e seu filho Jack (Jacob Tremblay) vivem isolados em um quarto. O único contato que ambos têm com o mundo exterior é a visita periódica do Velho Nick (Sean Bridgers), que os mantém em cativeiro. Joy faz o possível para tornar suportável a vida no local, mas não vê a hora de deixá-lo. Para tanto, elabora um plano em que, com a ajuda do filho, poderá enganar Nick e retornar à realidade.

Opinião:

Não tem como não dividir o filme “Quarto de Jack” em duas partes, inclusive, a segunda é praticamente impossível não dar spoiler ou contar algum detalhe importante sobre a obra. A prova disso, é que o próprio trailer traz imagens reveladoras do roteiro. Isso poderia ser algo ruim, afinal, assistir uma obra onde você já sabe o que vai acontecer pode estragar aquela sensação de surpresa que é tão agradável nas salas de cinema. Mas, excepcionalmente para esse filme, isso não se aplica. Acima de qualquer surpresa, “O Quarto de Jack” pode ser dividido em um filme emocionante e forte na primeira parte, e uma obra muito mais bem trabalhada na segunda.

O início mostra o inferno que Joy e seu filho Jack vivem. A qualidade do filme começa quando a percepção e a realidade entram em choque. Já que Joy escancara o quanto é infeliz por estar onde está, tendo em seu filho o lampejo de felicidade. Oposto de Jack, que nascido naquele mundo, vive aquela limitação como algo normal. Os trastornos psicológicos que isso gera nas cenas são altamente interessantes, criando um prato cheio para quem gosta de elementos de psicologia.

A segunda parte TEM SPOILER, não tem como.

emocionante o quarto de jack

Após uma emocionante fuga, o filme flerta com a possibilidade de se tornar uma obra normal, dessas que tem um bom roteiro mas com um final decepcionante. Não é o que ocorre, já que a obra da escritora Emma Donoghue mostra o que acontece com Joy e Jack após saírem do cativeiro. São sete anos de vida retirados de uma jovem que foi estuprada e humilhada. Seu filho está vivendo uma realidade que acredita ser paralela e irreal. A família está completamente modificada.

TEM COMO ISSO SER UM FINAL FELIZ?

Óbvio que não. A qualidade do filme está no ato de mostrar essa dificuldade de adaptação, mostrando todo o entorno dessas duas pessoas nessa nova realidade da qual foram retiradas

Para ajudar, o filme ainda conta com bons atores. Brie Larson entrega uma Joy jovem e forte, podendo mostrar todo seu potencial de atriz. A única atuação que a ofusca é do pequeno Jacob Tremblay, o ator mirim, obviamente bem orientado e editado, rouba a cena, trazendo um personagem muito maduro e complexo, sendo de longe o ponto mais alto da história.

quarto de jack room emma donoghue

O roteiro de excepcional qualidade ainda tem mais um detalhe, problemas familiares. Após o resgate, a vida que Joy tinha se modifica por completo, aqui não preciso entrar em detalhes, já que é fácil imaginar a quantidade de mudanças que acontecem em sete anos de vida. A agradável surpresa para a obra é que mostra um mundo nada florido, deixando o espectador com sensações de amargura e tristeza, demonstrando fielmente a vida como ela é, dura e difícil, mas que ao cavar fundo se encontra a felicidade.

Quem melhor demonstra isso é o pequeno Jack. Sendo ele o narrador da trama, vamos assistindo o espetáculo com um olhar doce para um terror alucinante, sendo submetidos a diversos tapas na cara que uma criança pode nos dar ao demonstrar sua visão para o que está se passando, mostrando o quanto qualquer problema pode ser resolvido.

olhar de jack

Um último elemento é a trilha sonora. Acompanhando as nuances do filme, esse elemento será o responsável por quebrar o silêncio agoniante que tomam algumas cenas, além de ajudar qualquer um, até os mais frios, a ir as lágrimas.

Em resumo, o trabalho do diretor Lenny Abramson se destaca por valorizar o bom roteiro, além de orientar Jacob Tremblay a dar vida a Jack. Oferecendo um trabalho coeso, bem montado e, acima de tudo, surpreendente por mostrar a vida como ela é, bem distante daqueles finais confortáveis que fomos condicionados a acreditar pelos estúdios Disney.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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