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Projeto 365 – Dia 162 – As Sufragistas

“Eu prefiro ser uma rebelde do que uma escrava”

Sufragista: aquela que defende a extensão dos votos a todos, sem distinção de raça, sexo, poder econômico, origem etc..

Sinopse:

No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.

elenco sulfragista

Opinião: 

Como homem, posso escrever sobre esse filme e, sobre essa história, como um admirador ou incentivador para que essa luta continue. Mas, infelizmente, assim como muitos, ajudei com que o machismo se alastrasse ao que é hoje. Acho que é realmente necessário esse desabafo, assim fico mais a vontade de escrever sobre essa história.

A grande temática desse filme é justamente essa: MACHISMO. Claro que a grande palavra de 2015 foi feminismo, e que os direitos aos quais as sufragistas tanto buscaram eram de igualdade para as mulheres. Mas se tem algo que prejudicou, e continua prejudicando as mulheres há séculos, é o machismo.

sufragistas londres original

Nesse aspecto o filme é brilhante. Criar uma personagem fictícia como Maud Watts para ilustrar a trama com personagens reais como Emmeline Pankhurst, Edith Garrud, Olive Hockin e Emily Wilding Davison poderia ser um erro, afinal, isso acaba sempre roubando o estrelismo da história principal. Mas não foi o caso, Maud simbolizou muito bem o que significava, e ainda significa, ser mulher, representando bem o que elas “perdiam” para ganhar o direito de serem ouvidas.

Detalhes:

Primeiro detalhe tem que ir para Helena Bonham Carter. Desculpe-me Meryl Streep, mas quem rouba a cena nesse filme é ela. Atuação impecável, mostrando que mesmo coadjuvante, ela sempre rouba a cena (não é o primeiro filme que ela conquista esse feito).

Também devemos exaltar Carey Mulligan, dificilmente não receberá uma indicação ao Oscar por esse papel tão completo e que passa por transformações pesadíssimas.

carey-mulligan-helena-bonham-carter

As frases de efeito também chamam atenção. No decorrer dos 107 minutos de filme são expostos diálogos e textos fortes e que representam os argumentos que as mulheres usavam para convencer suas companheiras e, também a si próprias, de que estão lutando por um ideal nobre, e não por algo errado como todos na época diziam (inclusive muitas mulheres).

Os cenários também merecem destaque, claro que menos, afinal, a cidade de Londres, onde se passa o filme, facilita muito o trabalho com suas instalações antigas preservadas e toda sua aurea monarca.

E por último os ângulos de câmera. Nos momentos de tensão, ao invés do diretor optar por quadros mais abertos para mostrar os conflitos, há uma escolha clara de aproximar a filmagem ao máximo dos atores, passando uma sensação de imersão nas cenas, causando um incômodo quase clautrofóbico a quem assiste, semelhante ao que se sente ao estar dentro de uma multidão ouriçada.

Pra terminar:

Em um ano onde muito se falou sobre esse tema, nada mais perfeito que um filme que conta a história dessa luta para trazer a esperança de um ano novo melhor.

FELIZ 2016 e nunca desista de lutar por um mundo mais justo!

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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