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Projeto 365 – Dia 155 – Por volta da meia-noite

“Não há carinho o suficiente no mundo”

Com uma frase como essa, cheia de sentimento e reflexão, você já pode esperar um filme melancólico e reflexivo.

Sinopse:

Paris, 1959. Dentro do clube Blue Note, um veterano e talentoso músico de jazz extrai uma eloquente melodia de seu sax tenor. Do lado de fora, um jovem parisiense decide acompanhar aquelas belas notas. Em breve, eles erguerão uma amizade que acenderá a centelha de genialidade final na carreira do músico.

Opinião:

Sou um fanático por filmes com temática musical. Nenhum outro gênero consegue integrar tão bem a imagem e o som e gerar um conjunto tão coeso. “Por volta da meia-noite” trará um filme onde se “perde” tempo com a trilha sonora (esse perde com bastante aspas). Em todos os momentos do longa você verá, e ouvirá, os tristes acordes de um saxofone ecoando, tendo inclusive cenas onde as personagens perdem a voz, e a música que preenche o vazio auditivo.

O fato do filme ser estrelado por um saxofonista da vida real, Dexter Gordon, altera-se a proporção de atuação, gerando um filme muito mais instrumental e característico dos bastidores do jazz, do que de um ator interpretando um papel de um músico. O resultado disso é um filme bem parado, feito para se apreciar como um bom vinho, sentindo todas as notas suaves, o equilíbrio entre longa-metragem e espetáculo musical, e a leve acidez para tratar de assuntos pesados como solidão, vício e escolhas da vida.

Servindo de taça para esse vinho, aparece uma amizade incomum. Um jovem pai de família que fora influenciado pelo músico no passado, agora oferece apoio para o artista que está em decadência, gerando um boa sintonia entre vinho e taça.

por volta da meia noite filme vencedor do oscar de melhor trilha sonora

Detalhes:

O ritmo do filme é o mais diferente detalhe. Assim como jazz, o roteiro tem uma batida suave, parada e melódica, mas, por algumas vezes escapam tons mais agudos e crescentes, ditando o compasso da obra.

A forma como a música influencia a vida das pessoas também é uma excelente característica. Tanto o velho músico, quanto o jovem fã tem sua vida modificada para sempre por essas notas musicais, assim como toda sua família e amigos. Não pense que isso gera só coisas positivas para as personagens, pelo contrário, a escolha de viver do mundo da arte, e principalmente seguindo o ritmo do mundo da música os privaram de uma vida confortável.

Os ângulos de câmera também são bem diferentes do padrão estético de hoje em dia. Esse filme de 1986 traz um plano sequência para as cenas, deixando toda a situação contínua e sem cortes, algo que lembra muito mais os filmes antigos.

Pra fechar:

Com a câmera parada em um corredor escuro, apenas com uma luz amarela e fraca, uma porta entreaberta e uma música suave de fundo ouvimos um diálogo triste. Um diálogo que representa toda a essência do que é viver de música, homenageando todos esses artistas que se propõem a nos entreter com a sua arte, esse é o resultado dessa obra.

PS: Filme vencedor do Oscar de melhor trilha sonora de 1987

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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