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Projeto 365 – Dia 152 – Trainspotting

“É fácil ser filósofo quando o outro está fudido”

Se você se incomodou com a primeira frase desse texto, seja pelo uso de palavras de baixo calão ou por julgar alguém que tenha essa opinião, não veja esse filme.

Sinópse: 

O filme conta as histórias de viciados em heroína que vivem num subúrbio de Edimburgo, Escócia, narradas do ponto de vista de um deles, Renton. Ele próprio resolve interromper o vício mas sempre acaba retornando, Spud tenta arrumar emprego mas não consegue, e Sick Boy é um especialista em filmes de James Bond. Além deles, também integram o mesmo grupo, mas não são viciados, Tommy, que acaba eventualmente seguindo o mesmo caminho dos amigos, e Begbie, intempestivo e violento.

Trainspotting mundo do crime

Opinião:

Antes de começar o texto vale uma explicação sobre o título do filme. A palavra “trainspotting” SIGNIFICA um passatempo aparentemente sem muito SENTIDO, realizado normalmente por jovens, que consiste em ficar vendo os trens passarem sobre os trilhos.

Começo com essa explicação pelo simples fato de que a palavra “sentido” é por muitas vezes questionada nesse filme, fazendo com que, seja você um usuário de drogas ou não, questione a si próprio sobre o que é certo ou não nessa vida.

Ainda no âmbito das palavras, o verbo criticar também será muito usado nesse intrigante longa escocês. A todo momento a trama questionará o que definimos como o que é, e o que não é droga, ou ainda melhor, o que é droga lícita e o que não é. “Vivo cercado de viciados em drogas lícitas” (frase de Renton).

Trainspotting drogas e discussao

Em diversas cenas o espectador será exposto a um mergulho profundo sobre o mundo dos viciados em drogas, conhecendo desde a influência que isso causa a família dessas pessoas, até o lado mais escondido que acontece com o próprio usuário.

Se você chegou até essa parte do texto pode achar que o filme é um desses materiais de apoio que os colégios usam para afastar os jovens das drogas. Então devo enfatizar que NÃO. Trainspotting trará questionamentos e argumentos muito fortes para os dois lados dessa discussão, causando uma sensação de que não existe um lado certo.

Por essas e outras que esse trabalho de 1996 causou tanta polêmica na época do seu lançamento e até hoje é lembrado como uma referência na eterna discussão sobre a legalização ou não das drogas.

Detalhes:

Esse filme é bem nojento!! Não achei outra palavra para defini-lo. Em diversas partes o uso da palavra escatológico pode ser aplicada, gerando repulsa e muito desconforto para quem assisti. Porém, esse recurso não é aplicado de uma maneira gratuita ou desnecessária. Pelo contrário, ao assistir o filme somos expostos a absolutamente tudo desse mundo, desde os problemas mais graves e sérios, até as sensações mais alucinantes e, por que não dizer, tentadoras.

trainspotting observando o trem

A trilha também merece um destaque. Usando muito bem o reportório Britânico, o áudio conduz muito bem o ritmo do filme, dando o conforto quando necessário e, ajudando a entrar nas sensações alucinóginas desse roteiro premiado.

Já citei acima um pouco sobre as drogas lícitas, mas vale ressaltar as que o filme escracha e joga na nossa cara: Valium, milkshake, álcool, cigarro entre outras coisas que nos cercam e alimentam os vícios chamados de permitidos. “A mente limpa pulveriza a alma, por isso precisamos de um vício”.

Pra fechar:

Temos aqui um ótimo filme. Claro que você não vai poder sair por aí recomendando a qualquer um, isso não. Mas para quem quer conhecer a fundo esse mundo e ter um ponto de vista diferente sobre a questão da legalização ou não das drogas, esse filme é mais que recomendado. Agora, para entender esse filme a mente precisa estar aberta, não é fácil aceitar pontos de vista de que a heroína pode ter um lado positivo, ou que somos pessoas manipuladas pela mídia a sermos robôs certinhos e que devemos seguir um padrão de existência.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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