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Projeto 365 – Dia 149 – Castelo Animado

“Um coração é um fardo pesado”

Quando se assiste a um filme, e logo nos primeiros minutos somos instigados e provocados a prestar a atenção, isso gera uma expectativa, que cabe ao roteiro satisfazê-la ou não. Brincar com essa expectativa é a grande sacada dessa bela obra produzida pelos Estúdios Ghibli, que usará todo o mistério e suspense do mundo dos magos para prender os olhos dos espectadores até o último minuto e ditar o ritmo do filme de uma maneira única.

Sinopse:

Um filme de 2004 do gênio Hayao Miyazaki baseado na obra da escritora inglesa Diana Wynne Jones traz como personagem principal Sophie, uma jovem de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade ela conhece Hauru, um mágico bastante sedutor, mas de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sofia uma maldição que faz com que ela tenha 90 anos. Desesperada, Sofia foge e termina por encontrar o Castelo Animado de Hauru. Escondendo sua identidade, ela consegue ser contratada para realizar serviços domésticos no local, se envolvendo com os demais moradores do castelo.

o-castelo-animado estudio ghbli diana

Opinião:

Quando pensamos em magia, castelos, jovens apaixonados e maldições logo de cara lembramos dos clássicos filmes imortalizados por Walt Disney. Mas, com todo respeito que tenho pela empresa Norte-Americana que praticamente construiu minha infância, as similaridades param por aí. O “Castelo Animado” tem um dom de conseguir fazer duras críticas ao modelo de como levamos nossas vidas e, ainda sim, consegue trazer um roteiro capaz de entreter crianças e adultos. A relação criada entre Sophie e o mago Hauru vai desenhando um contexto bem diferente do clichê “princesa indefesa que necessita de ajuda”, dando ao filme duas frentes: A primeira é mais esclarecida, onde veremos Sophie já dentro do Castelo animado tentando sobreviver em meio a uma guerra que se usa armas e magia para transmitir a destruição, tudo isso junto do aprendiz de mago Markl e o demônio Calcifer. A segunda frente é mais oculta, onde Hauru será o protagonista e apenas as conclusões de suas ações serão mostradas no filme (parte responsável por brincar com o suspense que citei no começo do texto).

Hayao Miyazaki estudio ghibli

Antes de continuar vale uma ressalva que a palavra demônio vem da natureza entre a mortal e a divina, ou seja, criatura que trafega entre esses dois mundos, o que não necessariamente é a criatura maléfica que logo associamos ao uso da palavra. Digo isso, pois Calcifer é um dos personagens mais importantes dessa história, e um olhar deturpado para sua denominação pode mudar completamente o entendimento do filme.

Quando essas duas frentes começam a convergir para um mesmo ponto, o roteiro vai esclarecendo algumas dúvidas, liberando aos poucos as informações essenciais para se montar o quebra cabeça que a trama gera, ao passo que também veremos a construção de uma relação mais intensa entre Hauru e Sophie.

sophie e hauru

Detalhes:

A principal característica que separa um filme bom de um mediano são os detalhes. As pequenas características que conseguem chamar à atenção sem roubar a atração para o foco principal. Nesse roteiro a principal mensagem gira em torno de como os homens maltratam o mundo através das guerras, algo que fica bem claro e recebe críticas pesadas o tempo todo. Porém, de maneira quase discreta, o roteiro também trabalha questões fundamentais do âmago dos seres humanos, cutucando feridas que mexem diretamente com o ego de cada um. O tempo todo a beleza física das personagens será algo importante, determinando a maneira como eles agem para preservar suas aparências, algo que passa a auxiliar o entendimento do filme e abre a discussão de como nos transformamos para se enquadrar em um padrão pré-estabelecido de beleza.

guerras e destruicao

A parte estética também merece algumas palavras. Os cenários e figurinos desse desenho deixam qualquer um de queixo caído, a riqueza de detalhes é tão impressionante que rouba a cena em diversas oportunidades, obrigando essa obra a sair do tempo padrão de uma hora e meia e tendo que ter duas horas só para que possamos apreciar sem pressa. A trilha sonora delicada ajuda esse tempo se tornar algo ainda mais agradável.

Para finalizar é fundamental citar que o filme trará um final bem trabalhado e que não deixa brecha, porém exige que o espectador preste atenção e observe bem as dicas deixadas no ar para ter um entendimento completo, afinal, esse não é um roteiro feito para um simples entretenimento, sua principal função é colocar dúvida na cabeça das pessoas e fazer com que pensemos nossa atual forma de olhar para o mundo.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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