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Projeto 365 – Dia 123 – Vício Inerente

“Pode ficar vagando pelas ruas do arrependimento, mas tem que voltar pra estrada novamente”

Permita-me começar com essa frase um tanto quanto confusa, mas que demonstra muito bem o que se passa dentro dessa história. Um misto de confusão, drogas em quase toda cena, e um toque de mistério.

Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) é um detetive particular que mistura a série “CSI” com “Loucademia de polícia”, ou seja, um misto de técnica e experiência com muitas atitudes atrapalhadas e perdidas. O efeito que isso causa é um comédia policial como qualquer outra, e, se esse fosse o maior chamariz do filme, eu diria com toda certeza: Não veja. Digo isso porque são apresentados muitos detalhes fracos, flashbacks desnecessários e elementos simples.

joaquin phoenix

Agora, se você assistir com um olhar no plano de fundo, aí terá um espetáculo. Retratando a utopia dos anos 60, e representando toda a hegemonia dos anos 70, “Vício Inerente” mostra como era essa época de fartura de drogas, cabelos longos e solos de Jimi Hendrix.

Quem melhor demonstra isso é Joaquin Phoenix, mais uma vez fazendo um trabalho excepcional. Ele praticamente encarna a personagem criada no livro de Thomas Pynchon(origem do filme) e joga na cara das pessoas o que acontece com o usuário de drogas. “Doc” por diversas vezes interromperá seu trabalho por conta do uso de drogas, criando vácuos no filme que não serão preenchidos, dando a espectador a sensação do usuário que tenta ter uma vida ativa. (Só por isso o filme já vale a pena)

A parte da investigação, apesar de confusa e chata, dá um tom de mistério, além de escancarar como eram os cartéis de droga nos Estados Unidos. Aqui podemos ter uma aula básica de como era a Las Vegas da década de 70, e podemos entender o porquê é tão obscuro esse mundo até hoje.

vicio inerente drogas anos 70

Outra parte interessante do filme é sua narradora. A jovem seminua que aparece nos cartazes e pôsters (Katherine Waterston) é a namorada do protagonista. Essa mulher funcionará como o balanço da história, aparecendo algumas vezes, sumindo outras, mas sempre com muita importância, sensualidade e representando o ponto alto do mistério. Aqui também vale um olhar especial.

Realmente não quero estragar a experiência que é ver esse filme, o mistério conta muito. A graça dele é não ter informação e moer o cérebro para entender a lógica inexata que se apresentará. Mas fica a indicação desse bom trabalho do diretor Paul Thomas Anderson.

Paz e amor!

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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