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Projeto 365 – Dia 122 – Meia Noite em Paris

Você já desejou viver em outra época? Ficou suspirando enquanto via um filme ou ouvia histórias dos seus avós? Pois esse filme de Woody Allen vai tratar exatamente disso: a ilusão de alguns sobre o quão melhor seria viver em determinado momento do passado.

O filme tem como cenário Paris, o personagem principal é Gil, americano, que sempre sonhou ser um grande escritor, mas acabou roteirista de Hollywood escrevendo histórias que considera ruins (algumas semelhança com o diretor Woody Allen? Alguns consideram o personagem seu “alter ego”). O escritor viaja com sua noiva e os futuros sogros para a cidade luz, mas lá sua futura esposa encontra um casal de amigos, e o homem é na verdade um pseudointelectual bem chato, que teima em opinar e se exibir em todas as visitas a museus que o grupo faz, cansado, o escritor acaba se distanciando da noiva e do casal e durante uma caminhada a meia noite descobre a Paris dos anos 20 com que tanto sonhava.

Paris nos anos loucos era o centro dos manifestos artísticos, era onde tudo acontecia, Gil vai parar em uma festa de Jean Cocteau, ao som de Cole Porter no piano e aos poucos personalidades marcantes vão surgindo na trama, Gil faz amizade com os Fitzgeralds (F. Scott Fitzgerald, de O Grande Gatsby), emplaca diálogos com Hemingway, observa a brilhante Josephine Baker dançar e não para por aí, Man Ray, Picasso, Dalí e Buñel surgem durante sua viagem no tempo.

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Outra personalidade será imprescindível para o desenrolar da história: Gertrude Stein, imaginem só, há 95 anos atrás Stein já se assumia homossexual e vivia com sua esposa e companheira, ela era uma famosa mentora de artistas e Gil vai até sua casa,  consegue convencer Stein a analisar o manuscrito de seu novo livro, lá também encontra diversos artistas importantes da época e Adriana.

Adriana transforma toda a trama, ele encanta por ela, musa inspiradora de diversos artistas, amante de Picasso e rápido affair de Modigliani. Adriana é uma mulher encantadora, mas surpreende o personagem principal quando se mostra insatisfeita em viver em sua época e suspira ao se imaginar vivendo na “Belle Époque”. Gil descobre uma maneira de viajar com a garota no tempo e os dois vão parar no Moulin Rouge, onde encontram mais personalidades históricas como Paul Gauguin, Lautrec e Edgar Degas e adivinhem só a conversa dos artistas em torno da mesa: Todos se sentem insatisfeitos com a época em que vivem e sonham com a beleza da Renascença.

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Eu realmente gostaria de falar mais e mais sobre esse filme, mas estragaria toda a experiência de quem ainda não o assistiu. Quando assisti ao Rosa Púrpura do Cairo não sai da experiência muito entusiasmada, talvez por ter criado uma expectativa grande sobre a história, fui questionada sobre a diferença dele para Meia noite em Paris, já que ambos os filmes tratavam de assuntos fantasiosos, de romances inocentes e impossíveis e ambos eram dirigidos por Woody Allen.

Fiquei com esses questionamentos martelando na cabeça: Mas no que esse filme fantasioso se diferencia de outros filmes de fantasia? No que Meia Noite em Paris se diferencia de Rosa Púrpura do Cairo, por exemplo? Ouso dizer que a quantidade de personagens reais históricos dentro de um mesmo filme, interagindo, vivendo, dançando, contando intimidades, sem eles, essa seria só mais uma história de amores impossíveis.  Mas uma coisa é inegável, ambos nos fazem refletir sobre as ilusões que criamos buscando uma vida perfeita que não é real.

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About Letícia Loureiro

Apaixonada pela terra da garoa, descobriu ainda cedo que queria fazer moda e correu atrás. aprendeu muito. Resolveu criar um cantinho pra falar de tudo que adora: filmes, fotografia, beleza e moda chamado Na Garupa da Vespa

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