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Projeto 365 – Dia 121 – A Rosa Púrpura do Cairo

“O encanto da imaginação em oposição à dor de viver é um tema recorrente em meu trabalho, mas eu nunca tinha percebido isso antes. E foram alguns críticos e amigos que me chamaram a atenção. “A Rosa” é aparentemente a mais recente expressão dessa minha preocupação, como foram também “Sonhos de um Sedutor”, “Zelig”, “Memórias” e o livro “The Kugelmass Episode”. Acho que desta vez tratei o tema de uma maneira mais divertida do que consegui fazer antes”.

Foi com essa frase que Woody Allen resumiu seu trabalho em “A Rosa Púrpura do Cairo”. Se formos traduzir a frase, auxiliado pelo fato de ver o filme, temos a seguinte definição: Um trabalho água com açucar, digno de se passar na Sessão da tarde, mas que tem seus méritos ao tratar de um dos sentimentos mais abandonados hoje em dia, a inocência.

Eu vi “A Rosa” (permitam-me encurtar o nome) duas vezes na minha vida. A primeira me surpreendi bastante com a temática, um misto de homenagem/crítica a tudo que envolve o cinema e sua indústria, além é claro de uma história bem sensível. Na segunda me deparei com a outra parte do contexto, a história que preenche o roteiro e responsável pelo adjetivo “sensível” ao qual dedico ao filme.

a rosa purpura do cairo woody allen

Para contextualizar quem não viu, o filme trata de apresentar Cicília (Mia Farrow), uma jovem casada com um homem que a maltrata, leva uma vida bem complicada financeiramente, mas que encontra no cinema uma válvula de escape para suas aflições. Em um determinado momento, após ver o mesmo filme 5 vezes, o ator sai da tela e se diz apaixonado pela moça, a partir daí se desenrola a história.

Muito será tratado da visão lúdica que as pessoas tem do cinema, algo como uma vida perfeita e sem defeitos, apresentando a verdadeira faceta de quem vive dessa indústria. Esse pra mim é o maior mérito, algo que em si já garante uma experiência agradável.

A trilha sonora, com a cara do diretor, também merece destaque. Sempre presente, adequada as situações de cada cena, oferece aqueles momentos em que você se pega balançando os pés ou tamborilando os dedos imitando uma bateria ou um piano, algo que eu particularmente adoro.

Mas termina por aí, infelizmente.

Como iniciei o texto, “A Rosa” é digno de sessão da tarde. Digo isso por conta das paixões meteóricas que acontecerão no filme, aos “eu te amo” ditos aos quatro ventos após minutos de conversas, e personagens rasos e sem muita expressão que Woody Allen nos apresentou. Isso afeta o roteiro, passa a sensação de um trabalho simplista e sem acabamento. Algo que passa uma sensação ruim para quem se apega a essa parte da história.

mia farrow

Portanto, peço encarecidamente que assistam olhando pelo lado da originalidade do roteiro, pela música ou até pela representação da depressão que os Estados Unidos vivia na época (algo que não comentei nas boas características, mas que vale a menção honrosa). Porque assistir com um olhar voltado apenas para a história em si, um romance bem puro e ingênuo, pode trazer uma sensação de “mais um filme na sua lista”.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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