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Projeto 365 – Dia 112 – As Maravilhas

Logo de cara já adianto que esse filme não é pra qualquer um. E não digo isso porque há pessoas especiais ou que o filme é intelectualmente difícil, digo isso pois todo o contexto do filme é massante e segue o ritmo dos filmes europeus, algo que, nem de longe, agrada o grande público.

Dito isso, vamos ao filme.

“As Maravilhas” contará a história de uma família do interior da região da Toscana, Itália, local aonde há pouca civilização e a subexistência é o modo de vida mais praticado. Essa família representa muito bem a cultura patriarcal que se desenvolveu em muitas sociedades, inclusive na Europa, aonde o pai é o centro provedor do sustento e das ordens, e as mulheres da casa obedecem e são submissas. Nesse caso, a casa contém 5 mulheres e um homem que vivem da arte da apicultura (produção de mel).

as maravilhas filme italiano

Como disse acima, aos poucos e com um ritmo bem cadenciado, vamos conhecendo a cultura italiana, a forma como a família se organiza para prover o sustento, e como a região aonde estão inseridos é isolada do mundo, a ponto inclusive de fazerem as próprias leis.

O fato é que essa parte é bem parada, a única caracterísica positiva e ir vendo como as crianças são criadas, nos mostrando como nossos pais e avós, principalmente para descendentes de italianos, viviam.

Até que, de repente, o filme ganha dois temperos. O primeiro deles é um jovem alemão, de apenas 14 anos, que tem uma ficha criminal e está sob custódia do governo. Para inseri-lo de volta a sociedade, ele é colocado em um programa para de jovem aprendiz, aonde é levado para a família que citei acima para ajudar nos serviços locais. Acontece que o menino é completamente mudo, inexpressivo e deslocado, o que gera cenas bem interessantes ao filme.

monica bellucci

O segundo tempero fica por conta de um programa de TV que quer localizar as maravilhas do interior da Toscana, visitando locais inóspitos a procura dessa cultura mais abastada, algo que vira o filme de cabeça para baixo, gerando uma quebra gigantesca da rotina de todos e, fazendo com que o filme ganhe bons elementos para se analisar. Destaco a inflência da mídia, até mesmo em pessoas menos envolvidas com a loucura das cidades grandes, o medo constante do ser humano para com coisas novas, e, a forma como cada um reage ao sair da sua zona de conforto.

Portanto, se você tem paciência para filmes longos, aonde a beleza se encontra na fotografia do local e nos elementos cênicos, assista esse filme. Agora, se você procura um divertimento ou uma distração, passe longe desse longa, pois extrair algo dele exige muito força de vontade e atenção a detalhes não muito claros.

PS: o filme levou o prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2014.

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About Celso Bove

Celso Bove Publicitário, Webdesigner, Blogueiro, fotógrafo, amante de todos os tipo de arte, em especial cinema. Fundador do Blackcine.

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